Singularidades

Quando a ciência esbarra em seus próprios limites, surge uma “singularidade“.

Esse termo foi popularizado nos anos 1950 por John von Neumann. Para ele, “A aceleração do progresso tecnológico e as mudanças no modo de vida humana, dão uma aparência de singularidade essencial na história da raça, para além da qual os assuntos humanos, como os conhecemos, não podem continuar.”

Mais recentemente, Vernor Vinge, trinta anos atrás, afirmava que a era humana acabaria, em decorrência do avanço exponencial da “superinteligência”.

O “futurista” e cientista da computação, Ray Kurzweil, estabeleceu que em 2030 – faltam sete anos! – a humanidade alcançará a imortalidade e a inteligência artificial atingirá a singularidade. Se essa imortalidade chegar, ela estará disponível para quantos?

Ele se intitula futurista porque das 147 previsões que fez em 1990 sobre os anos que antecederam 2010, 115 provaram ser “totalmente corretas”, enquanto outras 12 estavam essencialmente corretas e apenas 3 estavam totalmente erradas. Um de seus erros foi prever que carros autônomos estariam em uso em 2009. Esse levantamento foi feito pelo próprio.

“2029 é a data consistente que previ para quando uma IA passará por um teste de Turing válido e, portanto, atingirá níveis humanos de inteligência. Defini a data de 2045 para a ‘singularidade’, que é quando multiplicará nossa inteligência efetiva em um bilhão de vezes, fundindo-se com a inteligência que criamos”. (Kurzweil, em 2017)

Parte de nossa imortalidade será garantida pelo uso de nanorrobôs que fluirão por nossa corrente sanguínea, fazendo reparos e conectando nosso cérebro à nuvem.

A singularidade tecnológica, predita por Vinge e outros, assume que haverá uma “reação desenfreada” de um agente “inteligente” atualizável com capacidade de autoaperfeiçoamento (já estamos vendo isso) que, porém, gerará cada vez mais rapidamente, indivíduos dotados de uma superinteligência poderosa que, qualitativamente, ultrapassaria toda a inteligência humana.

Essa ideia também foi abordada por Nick Bostrom, em seu livro de 2018: a possibilidade de criarmos máquinas mais inteligentes do que nós. Não acredito nisso, embora a inteligência humana média esteja caindo. Escrevi sobre isso aqui: (https://balaiocaotico.com/2021/09/29/criaremos-maquinas-mais-inteligentes-do-que-nos/).

Por trás, considera-se que tudo o que ocorre no cérebro, e mesmo no universo, venha da informação e de sua transferência: a matéria apenas oferece suporte para o armazenamento e propagação de informação.

Há também singularidades físicas, como o buraco negro (ver ilustração). Segundo as teorias relativísticas da gravidade, dentro de um buraco negro deve haver uma singularidade, ou seja, uma região de espaço em que a curvatura do espaço – ou a densidade da matéria – se torna “infinitamente” grande.

Há outra singularidade física na origem dos modelos cosmológicos do big bang, a representação aceita como mais convincente para o entendimento dos aspectos de grande escala no Universo, embora seja seriamente incompleto em numerosos pontos, segundo cosmólogos.

Um dos “problemas” da imagem do big bang é a questão da entropia. Como a desordem (entropia) aumenta com o tempo, o big bang pressupõe que o Universo deve ter-se iniciado num estado altamente ordenado, de entropia muito pequena. Segundo Roger Penrose, a probabilidade de isso ter acontecido por acaso é muitíssimo pequena; aí entraria a figura de um Criador, claro.

Penrose, ainda, acredita que há aspectos não-computacionais na consciência, que podem estar implicados na redução objetiva da função de onda a observáveis macroscópicos.

Para ele, a mais rigorosamente lógica das ciências, a matemática abstrata, não pode ser programada num computador, seja qual for a sua precisão ou o tamanho de sua memória. Tal computador não pode descobrir teoremas matemáticos, por exemplo.

Partindo do teorema de Gödel, entende que os processos de pensamento matemático e, por extensão, todo pensamento e todo comportamento consciente são realizados por meios “não-computacionais”.

Ele se refere aos computadores típicos, digitais; não sei se os quânticos farão alguma diferença, pois, sua visão é que, de algum modo, os problemas da mecânica quântica e os problemas da consciência compreensiva estão relacionados de várias maneiras.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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