Nasrudin, o Perturbador da Tranquilidade

Nasrudin (ou Naceradin) Coja (ou Hodja) viveu no século XIII. Era seljúcida (povo nômade turco) e sufista. Também teria sido imã e juiz islâmico.

Há muitas histórias a seu respeito, nas quais ora aparece como sábio ou espirituoso, ora como um tolo. Ficou conhecido por ser um homem muito bem humorado. Os mestres sufis apresentavam-se, sem problemas, como “idiotas de Deus”. Espiritualmente, consideravam “idiota” aquele que afirma a sua ignorância perante a verdade e entende a sua transitoriedade neste mundo.

“Eu sou Hodja Nasrudin, o perturbador da tranquilidade e semeador de discórdias, aquele mesmo sobre o qual todos os dias o pregoeiro em todas as praças e mercados, promete grandes recompensas por minha cabeça. Ontem prometeram três mil tangas e eu até pensei: vender ou não, eu mesmo a minha cabeça por tão bom preço?” (Trecho de O Perturbador da Tranquilidade)

Algumas dessas histórias:

Nasrudin foi processado

Nasrudin ia pela cidade dizendo: — os sábios desta cidade, colocados juntos, não sabem nada.
Um dia, um grupo deles levou Nasrudin ao tribunal e exigiu que ele voltasse atrás em sua declaração ou senão enfrentaria um castigo. 
— Está bem — disse Nasrudin.
Então, ele apresentou a cada um deles um pedaço de papel e lápis. Depois comentou:
— Agora, cada um de vocês deve escrever uma resposta à seguinte pergunta: O que é merda?
Todos eles escreveram uma resposta e entregaram-nas ao juiz, que as leu em voz alta.
O cientista escreveu que merda é uma composição de água e alimentos desperdiçados.
O filósofo escreveu que é uma manifestação de um ser vivente relacionada aos ciclos e mudanças dos temas predominantes do universo.
O médico escreveu que é a matéria que deve ser passada através do corpo como parte da regularidade dos intestinos e da boa saúde.
O líder religioso escreveu que é um símbolo de nossos pecados passando através do nosso corpo.
A vidente escreveu que é material que pode ser usado para dizer nosso futuro.


Depois de ouvir essas respostas, Nasrudin comentou com o Juiz:
— O Senhor vê o que quero dizer? — e concluiu — todos esses sábios colocados juntos não sabem merda nenhuma.

Como Nasrudin Criou a Verdade


“As leis, por si só, não tornam as pessoas melhores”, disse Nasrudin ao rei. “Elas devem praticar certas coisas, para que possam estar em sintonia com a verdade interior. Esta forma de verdade se assemelha à verdade aparente apenas superficialmente.”


O rei decidiu que poderia, e iria, fazer com que as pessoas observassem a verdade. Ele faria com que praticassem a sinceridade.
Entrava-se nessa cidade por uma ponte. Nessa ponte, o rei construiu uma forca. No dia seguinte, ao amanhecer, quando os portões foram abertos, lá estava o Capitão da Guarda a postos com o seu pelotão, pronto para inspecionar cada um que entrasse na cidade.


Uma proclamação foi feita: “Todos serão interrogados.
Aquele que disser a verdade, poderá entrar. Aquele que mentir, será enforcado”.
Nasrudin deu um passo à frente.
“Aonde vai?”
“Estou a caminho de ser enforcado”, respondeu Nasrudin, calmamente.
“Não acreditamos em você!”
“Muito bem, se o que eu disse é mentira, enforquem-me!”
“Mas se o enforcarmos por mentir, transformaremos o que você disse em verdade.”
“Exatamente. Agora vocês sabem o que a verdade é… a SUA verdade!”

Um mestre diferente

Nasrudin estava sendo esperado em uma cidade. Praticamente toda a população estava reunida na praça para ver o mulá falar.
Nasrudin olhou para aquelas pessoas e perguntou:
— Você sabem sobre o que vou falar hoje?
Todos responderam ao mesmo tempo: — Não!
— Se vocês não sabem o que vim falar eu me retiro — e foi embora.
Tempos depois a população conseguiu que Nasrudin voltasse à cidade para falar.
Mas combinaram que se ele perguntasse novamente sa sabiam o que ele ia falar eles dirão que sim.
Quando Nasrudin perguntou eles disseram: — Sim!
Nasrudin disse então:
— Se vocês já sabem eu não preciso falar nada! — e se retirou.
Conseguiram que ele voltasse lá mais uma vez para falar. Dessa vez combinaram que metade diria que sim e metade que não.
Nasrudin então disse:
— Muito bem. Então a metade que sabe conta para a metade que não sabe — e se retirou.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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