À meia-luz (por Jénerson Alves)

Paula Alquist, esposa de Gregory Anton, é manipulada pelo marido; ele a faz acreditar que ela está doente e sofrendo alucinações. Esse é o mote do filme ‘À meia-luz’, produzido em 1944, com direção de George Cuckor.

Participa da obra a talentosíssima atriz Ingrid Bergman, que ganhou o Oscar de melhor atriz pela sua atuação na trama. O título original em inglês é ‘Gaslight’, termo que originou ‘Gaslighting’, considerada a palavra do ano de 2022 pelo dicionário Merriam-Webster.

Segundo o dicionário, gaslighting é “o ato ou prática de enganar alguém grosseiramente, especialmente para [obter] vantagem pessoal” – em outras palavras, mentir para ‘se dar bem’.

Ainda de acordo com o dicionário, não houve um fato específico que tenha estimulado a busca pelo termo. Aliás, a manipulação está presente nas mais diversas dimensões da sociedade. Em um mundo de ‘fake news’, a verdade saiu de moda e a mentira adquiriu status de fascínio. Relações tóxicas, discursos vazios, ausência de símbolos, eis alguns dos sintomas presentes no cotidiano.

Há lastros filosóficos, como o niilismo, o relativismo e o construtivismo, que sustentam esse cenário. Contaminado por seguidores de Marx e Engels, o ambiente acadêmico está empestado de pessoas que negam a realidade objetiva e a natureza humana, não enxergando os seres humanos como indivíduos, mas como grupos sociais.

Para um dos principais cientistas cognitivos do mundo, Steven Pinker, o fruto do progressismo “desmoraliza o ensino, a educação e as artes, e a transforma em formas de engenharia social”.

A vacina para o ‘gaslighting’ é a verdade. É uma educação voltada para a virtude, que deve ser abraçada pela família, pela escola e pela sociedade como um todo. É o indivíduo compreender que ele também pode influenciar a cultura. Mais do que um trabalho exógeno, é um labor endógeno.

Se a manipulação é “à meia-luz”, a verdade é a luz total – “e a luz resplandece nas trevas”.

(Jénerson Alves é jornalista)

(Publicado originalmente no blog Falou e Disse)

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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