Desacelere!

O burnout se tornou a condição que define a geração Millennial, os nascidos entre 1981 e 1996.

Renata Corrêa, prefaciando o livro “Não aguento mais não aguentar mais”, de Anne Helen Petersen, conta de sua experiência pessoal quando, recém-separada e com uma filha pequena, dependia de um trabalho freelance e outros eventuais. Uma viração, ou entrepreneurship, como dizem os neoliberais, mal conseguindo pagar as contas.

O exercício de sobrevivência diária, nos obriga a focar no duro presente e, sonhar o futuro torna-se um “sonho”.

Ela sentia orgulho por ser autossuficiente e independente. Até desabar.

Uma ética de trabalho rígida e um comprometimento obsessivo com as entregas, valores atuais, não te põem como prioridade. A tendência é que reste apenas o bagaço. Alguém lamentará?

As urgências são falsas, na sua maioria; o empregador cobra metas sempre superiores; a concorrência é consagrada como a regra de ouro; o trabalho demanda todas as horas e atenção disponíveis; limites são para serem superados, dizem-nos; as vidas pessoal e familiar tornam-se subprodutos, com raras folgas e férias … assim somos moídos.

E achamos tudo muito normal – já foi pior, lembram. Viver implica, antes, sobreviver. Porém alguns elevam muito o padrão do que julgam necessário para a sobrevivência. Incluem valores fúteis, frívolos.

Todos querem vencer na vida, às vezes largando-a no caminho. Qualquer que seja o desafio, leve a vida junto!

Nada contra fazer o trabalho com amor e intensidade. O que não é sadio é o excesso, a anulação da alegria dos pequenos prazeres.

Doar-se, impor-se sacrifícios, lutar diuturnamente pelos ganhos alheios, moldar-se às exigências do mercado etc. é o que o sistema dita. Precisamos saber navegar nessas águas.

(Ilustração acima: charge de Cláudio de Oliveira / Max Francioli, baseado na obra “O Grito”, de Munch)

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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