Maquiavelicamente

Maquiavel (1469-1527) deixou muitas observações sobre a prática política, que permanecem atuais.

Não era “antiético”, tinha sua própria “ética”, polêmica, pois prioriza a conservação do poder e o bem geral da comunidade, ao invés da “salvação da alma”. Dessa forma, uma atitude requer perspectiva histórica para poder ser qualificada de boa ou má.

Não defendia tiranias – era republicano – e não escreveu a frase “os fins justificam os meios”.

Sua preocupação não era a formulação de uma teoria do Estado, mas uma teoria do Poder.

Nessa teoria, ele desenvolveu um novo conceito de ‘virtù‘. Sua ideia de ‘virtude’ difere daquela difundida pelo cristianismo e platonismo.

Sua ‘virtude’ não corresponde a caráter ou temperamento (entendidos como uma marca duradoura e penetrante, já dada); ela poderia ser transitória – vem e se esvai, é levada ou trazida.

A ‘virtù’ que defende é uma ferramenta necessária a situações complexas; seria uma qualidade adaptativa, circunstanciada ao contexto da ação e da vida viva, sujeita às contingências da vida. Conforme, então, as necessidades políticas, adequa-se o modo de proceder às novas conjunturas.

Importa, também, a ação no tempo oportuno. Os problemas não resolvidos se acumulam e explodem, pondera Roberto Romano.

Maquiavel chamava a atenção para a imperfeição do homem e para o jogo de interesses.

A continuidade de um governante no poder exigiria mais que alianças e boa retórica e por isso recomendava sensibilidade para reconhecer os anseios do povo, comenta Fábio Wanderley Reis.

Alguns recados válidos para o nosso quadro político:

“Os Estados bem governados e os príncipes prudentes sempre cuidaram para não levar o desespero aos grandes e, para agradar e contentar o povo, esta que é uma das mais importantes tarefas que incubem a um soberano.”

“A um príncipe é necessário ter o povo ao seu lado. De outro modo, ele sucumbirá às adversidades.”

“Os príncipes devem encarregar outros das ações sujeitas à protestação, mas assumir eles próprios aquelas concedentes de graça.”

“Não se deve jamais deixar fluir um mal em consideração a um bem, quando aquele bem possa ser facilmente oprimido por aquele mal.”

“Em um Estado que se torna livre fazem-se partidários inimigos e não partidários amigos. Tornam-se partidários inimigos todos aqueles que do Estado tirânico aproveitavam-se, alimentando-se das riquezas do príncipe; dos quais tendo sido tomada a faculdade de valer-se, não podem viver contentes, e são forçados cada qual a retomar a tirania para, junto com ela, retornar à sua autoridade.”

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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