Escolhas

Toda a revolução tecnológica dos últimos séculos, com o “domínio” da natureza e o “progresso”, trouxe, sim, melhorias na produtividade, renda, consumo, saúde etc.

A miséria e a exclusão, entretanto, não foram satisfatoriamente endereçadas. E, o crescimento da solidão parece superar ao da população, como um custo oculto embutido nesse processo.

Vemos contingentes populacionais enormes vagando de um lugar a outro, apressadamente, numa rotina entorpecedora, ocupando o tempo que dispõem.

Corpos vazios, ocos, como recipientes reclamando serem ocupados por algo ou por alguém. Pessoas que não se veem completas, salvo se resgatadas de suas insignificâncias por ideias ou afetos de outros, ao invés de completar-se com gratidão e autoconfiança.

Pessoas incapazes de crescerem interna e autonomamente. Insatisfeitas com o fardo da vida, com suas “promessas” quebradas. A maior solidão ocorre quando não encontramos a nós mesmos.

São como embriagados que procuram a felicidade, e não conseguem encontrar a própria casa, dizia Voltaire.

Para esses a vida não é uma possibilidade de ascensão – espiritual, moral e humanística; só aspirações econômicas, em geral frustradas -; a vida parece-lhes um abismo. A alegria de outros os incomoda. Sobra um angustiante mal-estar.

O trabalho, na maioria dos casos, é entediante e sem significado. É uma ocupação, aborrecimentos. Apesar disso, a maioria gosta de receber ordens dos outros; não saberiam o que fazer se tivessem que pensar por si mesmos. Resmungam por hábito. Há sim, os que são capazes de pensar com a própria cabeça e os que rejeitam qualquer ordem por serem outcasts (párias). Poucos. Cerca de 85% acreditam que viver é obedecer.

Acaba como na peça A Cozinha, Arnold Wesker: “O cozinheiro odeia o garçom, e ambos odeiam o freguês”.

A vida faz sentido pela interação com os outros. Não como dependência, mas interdependência. Não pela superação de outros, mas por ajudá-los a se superar. A vida é enlace e esperança de amor.

Nas relações sociais deveria prevalecer a força centrípeta, unindo as comunidades, harmonicamente. A força centrífuga que vemos na sociedade é, como na física, uma pseudoforça.

Mas, desde sempre, luta-se por poder, mesmo que mesquinho e restrito ao ambiente familiar. A vontade de ganhar chama o homem comum. Busca-se a aprovação social e o “reconhecimento” por se seguir as regras que movem o sistema socioeconômico. Permanece-se mediano.

É preciso coragem para não agradar, para ser autêntico. A maneira como vemos as coisas é essencial para as mudanças, inclusive a nossa.

Nossas chances de mudar o mundo são desprezíveis. São as pessoas que mudam e, com novas perspectivas o mundo recebe novo colorido.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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