Nossos sonhos

Evitamos sonhar, talvez para fugirmos de pesadelos. Nos sonhos temos a oportunidade de ajustarmos nossas emoções e de imaginarmos soluções para nossos infindáveis problemas.

Nos tempos atuais parece que perdemos o interesse por nossos sonhos; poucos se lembram deles ao acordar. A virtualidade do cotidiano tende a tomar seu lugar; os sonhos tornam-se aspirações espelhadas no sucesso alheio.

Houve um tempo em que os sonhos – sonhados – eram vivificados, compartilhados, e tornavam-se uma fonte de coesão grupal, criatividade e debate sobre o mundo hostil.

Não sei que falta isso faz, mas o mundo caminha para um individualismo egóico, que nos fragmenta em bandos com bandeiras exclusivas.

“Jamais foi tão grande o descompasso entre a nossa potencialidade de melhorar o mundo e o nosso fracasso em fazê-lo”, constata Sidarta Ribeiro.

Talvez estejamos sonhando menos, também. O fato é que dormimos cada vez menos, e mal, com um preço duro a pagar, em termos físicos e psicológicos.

Esse descuido, no que se refere ao sono, custa milhares de vidas em decorrência de erros médicos, acidentes de trânsito e enfermidades crônicas, além de afetar drasticamente nossa qualidade de vida, com altos custos com saúde e comprometimento na educação de crianças, alerta Matthew Walker.

O sono REM (“movimento rápido dos olhos”, em inglês) é importante para trabalharmos nossas emoções negativas, aprimorarmos habilidades sociais e para a criatividade e solução de problemas. O NREM (mais profundo, sem sonhos), por sua vez, é crucial na consolidação das memórias e de habilidades motoras e na regulação de processos fisiológicos.

Para Jung, o sonho expressaria o que de específico o inconsciente estivesse tentando dizer. Os sonhos seriam fantasias inconscientes, evasivas, precárias, vagas e incertas do nosso inconsciente.

Há certos acontecimentos de que não tomamos consciência. Permanecem abaixo do nosso limiar consciente. Aconteceram, mas foram absorvidos subliminarmente, sem nosso conhecimento consciente. Eles podem surgir nos sonhos.

O fato de existir o “inconsciente” implica a existência de dois “sujeitos”, de duas personalidades dentro do mesmo indivíduo, destacava Jung. Mas isso não seria um fato patológico; seria normal.

Eu sou vários. Há multidões em mim. Na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles. Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo.” (Nietzsche)

A “consciência” foi desenvolvida vagarosa e laboriosamente num processo que levou um tempo infindável, até alcançar o estado que conhecemos, o “civilizado”.

Essa tal consciência é objeto de estudos incessantes por neurocientistas, até por físicos.

Roger Penrose, por exemplo, admite que o pensamento consciente envolve ingredientes que não podem se simulados adequadamente por mera computação.

Para ele, os microtúbulos ( minúsculas subestruturas situadas nas profundezas dos neurônios do cérebro) – e não os neurônios – podem ser de fato as unidades básicas do cérebro, o que aumentaria dramaticamente o poder computacional cerebral.

Um grande poder computacional cerebral! Para quê?

Volto a Sidarta Ribeiro: “Se quisermos sobreviver a nós mesmos, precisamos abandonar os hábitos paleolíticos de competir em vez de colaborar, acumular em vez de distribuir.”

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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