Existe “um” povo brasileiro?

A pátria é apenas o solo natal ou requer que haja uma identidade cultural entre os nascidos num território? Existem traços característicos que nos tornam brasileiros? Outros povos reconhecem essas manifestações culturais que carregamos como típicas do brasileiro?

Como agrupar pessoas com trajetórias próprias, únicas, num coletivo chamado “povo”?

Talvez seja perda de tempo juntar seres tão diversos, com histórias e perspectivas distintas, de cores variadas, rendas e patrimônios díspares, crenças e valores muitas vezes antagônicos, otimistas e céticos, tolerantes e reacionários, exasperados e esperançosos … como povo.

Parece não haver um “povo”, mas uma massa informe de ansiosos solitários, à busca de causas que lhe sejam apontadas e que terminam por fragmentar a suposta “unidade” nacional.

O país carece de sonhos comuns que gerem uma identidade compartida, comungada por todos que nele habitam e que os irmanem. Nasceria aí um povo.

Temos, ao contrário, cizânias e discriminações que são engodos para desmobilização de um futuro comum. A discórdia é usada para fins políticos, criando uma falsa sensação de identidade grupal que supostamente eliminaria a solidão dominante.

Mesmo abraçados e reproduzindo lemas e discursos padronizados, continuam solitários.

A verdadeira solidão dá-se quando não se encontra a si próprio; ou quando não se aceita o que se é.

O mesmo vale para o país: o Brasil precisa encontrar-se a si mesmo.

Por que o Brasil ainda não deu certo?, perguntava-se Darcy Ribeiro.

Diria que nos tem faltado unidade e lideranças eficazes (não populistas), inicialmente. Além disso, precisamos desenvolver algumas atitudes e visões que estão esquecidas: concórdia, cooperação, empatia, inclusão, solidariedade, e vivência democrática.

A democracia não é apenas um regime político; é uma prática que se aprende em todos os âmbitos: na família, na empresa, na comunidade, no condomínio, entre amigos … até na nação. Sem esse exercício, a palavra fica vazia, sem sentido; uma ficção, que pode ser desconsiderada como se não houvesse maiores consequências.

Formamos um país naturalmente rico, potencialmente. A inércia, infelizmente, nos mantém em repouso.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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