Risco de morte é 72% maior entre crianças pretas que entre brancas

Recentemente a Fiocruz Bahia divulgou um estudo que mostra o efeito da desigualdade social na incidência de mortes entre crianças.

Os dados impressionam! As crianças indígenas, por exemplo, têm 14 vezes mais chances de morrer de diarreia. O risco é 72% maior entre crianças pretas quando comparado com as chances das nascidas de mães brancas.

A pesquisa analisou quase 20 milhões de crianças nascidas entre 2012 e 2018.

Muitas das mortes verificadas ocorrem por causas evitáveis, como diarreia, desnutrição, pneumonia e gripe.

O problema, de fato, não é “saúde”; é pobreza. A fraca saúde é decorrência.

Os idosos e as crianças menores de 5 anos são mais suscetíveis aos riscos decorrentes do lugar em que vivem, da qualidade da água, da falta de acesso a saneamento básico e a serviços de saúde e da escolaridade, entre outros fatores.

“O racismo opera como fator que vai determinar as condições de vida da criança, os anos de escolaridade da mãe, o local em que nasce, por isso, é importante ser considerado”. (Poliana Rebouças, coordenadora do estudo)

Faltam políticas públicas integradas, coordenadas, para tratar a questão da miséria como uma chaga social e étnica, acentuada pelo descaso e elitismo governamentais.

É evidente que os atuais governantes têm pouca simpatia – e empatia – pelos pobres, negros e indígenas. São vistos como incômodos, lembrados apenas pelos votos.

Essa situação deve ter piorado nos últimos anos, olhando-se os números escandalosos da fome no país: em 2020, cerca de 19 milhões de brasileiros conviviam com a fome; neste ano chegamos a 33 milhões!

Segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN), o número de domicílios com moradores passando fome saltou de 9% (19,1 milhões de pessoas) em 2021, para 15,5% (33,1 milhões de pessoas). São 14 milhões de novos brasileiros em situação de fome em pouco mais de um ano.

6 de cada 10 lares comandados por mulheres convivem com a insegurança alimentar. Nas casas em que a mulher é a pessoa de referência, a fome passou de 11,2% para 19,3%.

Esses números, ao invés de servirem como alerta e motivação para planos de ação, são contestados, como é habitual em quem nega a realidade e acha que a mentira soluciona.

Um governo sério buscaria uma solução multidisciplinar e integrada no combate à pobreza.

A sociedade civil tem o que ensinar, como no caso do Instituto Dara, que atua para promover a saúde e o desenvolvimento humano por meio da implementação e da disseminação de uma abordagem integrada de combate à pobreza.

Ele, fundado pela Dra. Vera Cordeiro, é pioneiro no mundo no trabalho intersetorial com determinantes sociais da saúde.

Vejam o drama de uma pessoa em situação de vulnerabilidade:

“O desespero bateu em Priscila de Oliveira quando ela chegou com o filho de 2 anos ao Hospital Federal da Lagoa, no Rio de Janeiro, em agosto de 2019.

Os gritos da criança, que sofria de hipospádia, uma malformação genética rara na uretra de meninos, eram apenas um dos muitos problemas que afligiam a família.

Oliveira precisou deixar o emprego em um escritório de contabilidade quando estava grávida do garoto – a gestação era de risco – e, desde então, não conseguiu outra ocupação.

Àquela altura, não tinha dinheiro para comprar a comida do dia a dia e os alimentos antialérgicos caros de que o garoto precisava.

Também estava prestes a ser despejada do lugar onde vivia com a criança e a filha adolescente. (…)”

Felizmente, o hospital a encaminhou para o Instituto Dara, que abordou os principais aspectos que tornavam sua vida miserável.

O artigo a seguir, da Revista Pesquisa Fapesp, mostra todos os desdobramentos dessa abordagem:

(https://revistapesquisa.fapesp.br/equacao-complexa-2/)

(https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2022-09/estudo-da-fiocruz-bahia-destaca-desigualdades-na-mortalidade-infantil#:~:text=Quando%20se%20avaliam%20causas%20acidentais,o%20risco%20aumenta%20para%2074%25.)

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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