Nossas cobranças devem ser dosadas

Há uma desconfiança nas instituições, uma decepção com relação às expectativas irrealistas, uma falta de clareza sobre o que nos sobra com a pressão constante de performance!

Isso tem levado milhões à paralisia, à invalidez funcional, ao burnout, síndrome de pânico, e à depressão!

A ética rígida do trabalho e um comprometimento obsessivo com os projetos profissionais têm levado muitos ao esgotamento psíquico.

A vida atual é muito diferente da de algumas décadas atrás. Hoje, as mulheres, por exemplo, são chamadas a papéis outrora masculinos, mas permanece com uma carga familiar, em geral, maior que a dos homens.

As mulheres são valentes, temos visto, mas a sociedade “moderna” lhe agride.

Imagine uma que acabou de se separar de um sujeito das antigas, precisou mudar de endereço, cuidar dos filhos, manter-se à tona na carreira, sorrir nas reuniões, mostrar-se superior aos homens que concorrem com ela; dar conta de tudo e manter-se sã! Não é fácil.

Que sociedade estamos criando?

É um problema geracional? É isso que teremos cada vez mais, pessoas inseguras, medrosas, afrontadas por desafios superiores à capacidade normal, provocadas a serem sombras de ídolos neoliberais movidos a “medicamentos”, suplementos e drogas?

Devo sentir-me culpado ao estimular minhas filhas e netas a serem independentes, não serem meras “ajudadoras” dos seus companheiros, terem compromissos com intenções que a dignem; que se sintam iguais, com condições de superar os homens …?

Como falei, estamos vivendo uma fase do capitalismo em que a tua ousadia e dedicação supremas são elementos para o teu reconhecimento.

Isso, sem garantias reais quanto ao futuro, instabilidades financeiras e emocionais que nos solapam. No entanto, as cobranças sociais se avolumam.

“Quando eu era criança, minha mãe me dizia que eu poderia ser o que eu quisesse, mas que deveria ser excelente naquilo que escolhesse”, diz Anne Helen Petersen em seu livro “Não aguento mais; não aguentar mais”.

Acho que não temos que ser melhores em nada! Isso é uma condenação. Temos que fazer o melhor no que nos interessa, só!

Essa geração está condenada a fracassar! As ideias meritocráticas difundidas pelo neoliberalismo são uma farsa; são elementos propagandísticos do sistema!

É preciso dar um basta a esta isca! Temos que fazer “o nosso melhor”, não o que o sistema julga melhor.

Exaustão não prova competência; expectativas irrealistas são quimeras; ansiedade só é necessária para o nosso aprimoramento, não para gerar falta de esperança.

Nossa vida não está nas expectativas dos outros. Nosso trilhar é nosso descobrimento e nosso realizar. Nosso! Temos que ir ao nosso encontro!

“Podemos escrever nossa história, mas continuamos incapazes de aprender com ela. Pelo contrário, estamos num baile nefasto em que, como diz a canção popular, há mais de mil palhaços no salão de festas. (…)

… a guerra não é sobre tanques, bombas, mentiras, conversa fiada de políticos e notícias falsas: é principalmente sobre nós mesmos.” (Humberto Mariotti)

Nossa existência é marcada pelo desassossego, dizia Schopenhauer.

“As cenas de nossa vida são como imagens em um mosaico tosco; vistas de perto, não produzem efeitos — devem ser vistas à distância para ser possível discernir sua beleza.

Assim, conquistar algo que desejamos significa descobrir quão vazio e inútil este algo é; estamos sempre vivendo na expectativa de coisas melhores, enquanto, ao mesmo tempo, comumente nos arrependemos e desejamos aquilo que pertence ao passado.

Aceitamos o presente como algo que é apenas temporário e o consideramos como um meio para atingir nosso objetivo.

Deste modo, se olharem para trás no fim de suas vidas, a maior parte das pessoas perceberá que viveram-nas ad
interim
(provisoriamente): ficarão surpresas ao descobrir que aquilo que deixaram passar despercebido e sem proveito era precisamente sua vida — isto é, a vida na expectativa da qual passaram todo o seu tempo.” (Schopenhauer)

Não devemos viver como se o presente não existisse, como se tudo fosse uma promessa para um futuro que talvez não venha e não o conhecemos.

Não devemos viver para o que seja ótimo para os que nos usam, mas lembrarmos que devemos contas a nós mesmos.

O fato é que a depressão se tornou a doença mais disseminada no mundo, e cresce principalmente entre os jovens.

Na minha opinião, estão por trás dois condicionadores: a “disciplina” social e a busca da autonomia.

“… temos esse dom maravilhoso da inteligência humana e a capacidade de desenvolver determinação, e se as usarmos de maneira positiva, preservaremos a nossa saúde mental.

Pois perceber que temos esse grande potencial humano nos dá uma força fundamental.

Esse reconhecimento pode atuar como um mecanismo que nos permite lidar com qualquer dificuldade, não importando a situação que enfrentamos, sem perder a esperança ou afundar em sentimentos de baixa autoestima. (…)

Não tenha medo do que os outros pensam nem mesmo, em última análise, se você será bem-sucedido em alcançar seu objetivo. Mesmo que você não consiga atingir seu objetivo, você pode se sentir bem em ter feito o esforço.” (Dalai Lama

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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