“O imortal no mortal é o seu Nome” (Aurobindo)

“Sendo Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes: O reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo ali! pois o reino de Deus está dentro de vós.” (Lucas 17: 20-21)

Noutras traduções, lê-se “A vinda do Reino de Deus não é observável. (…) pois eis que o Reino de Deus está no meio de vós“. Bom, as traduções, assim como as leituras, dizem muito de quem as faz, de como lhes convém.

Sri Aurobindo, nascido num 15 de agosto, há 150 anos, também afirmava que “Deus está dentro de nós, um Poder Onipotente, Onipresente, Onisciente: nós e Ele somos de uma mesma natureza e, se entrarmos em contato com Ele e colocarmo-nos em Suas mãos, Ele derramará em nós Sua própria Força e descobriremos que nós, também, temos o nosso quinhão de divindade …”

Temos acima duas visões do que podemos ser constituídos, uma cristã (pouco lembrada) e uma de um iogue. Ambas fogem do materialismo.

Para Goethe, “cada ser contém em si mesmo a razão de sua existência; todas as partes atuam umas sobre as outras …”

O recado, também proposto por Kant, é que “uma parte existe para uma outra, não por uma outra.

Falando sobre a vida, François Jacob, Nobel de Medicina em 1965, defendia que a noção de organização em que se baseia o ser vivo só poderia ser concebida com um fim que se identifique com a própria vida.

Esse fim não seria imposto do exterior (pela necessidade de se atribuir a produção dos seres a uma Psyché – uma alma, um espírito), mas que teria sua origem no próprio interior da organização.

A ideia de organização, de totalidade, exigiria uma finalidade, na medida em que não se pode dissociar a estrutura de sua significação.

Jim Al-Khalili, físico, e Johnjoe McFadden, biólogo, apresentam a leitura que chamam de “biologia quântica”, na tentativa de explicar os trilhões de organismos vivos existentes:

“Não afirmaremos que algum tipo de força vital, espírito ou ingrediente mágico anima a vida. (…)

Das peças que faltam no quebra-cabeça da vida, pelo menos uma se encontra no mundo da mecânica quântica, no qual os objetos podem estar em dois lugares ao mesmo tempo, têm ligações fantasmagóricas e atravessam barreiras aparentemente impenetráveis.”

Um mergulho na filosofia antiga talvez nos ajude no entendimento do porque a matéria se comporta de modo tão diferente quando forma uma criatura viva ou quando forma uma pedra.

Sócrates se perguntava e respondia: “O que é que, quando presente num corpo, o faz viver? – A alma”.

Aristóteles, com a deixa, detalhava que as almas tinham graus diferentes: as inferiores habitavam as plantas; a dos animais, em nível mais alto, dotavam seus hospedeiros de sensações e movimentos; mas só a alma humana conferia razão e intelecto.

O pioneiro da filosofia ocidental, Tales de Mileto, lá no século VI a.C., concluiu duas coisas, aparentemente contraditórias: a) a água seria a origem de tudo (materialismo?); b) tudo está cheio de deuses (espiritualismo?).

A segunda frase (“tudo está cheio de deuses”) não tenta explicar toda a realidade com base em um material originário. Ao contrário, afirma que tudo o que vemos diante de nós, todo o mundo visível, é o lugar da presença de deuses. Não devemos achar que tudo o que se vê são meras coisas materiais. A essência das coisas consistiria em serem dominadas interiormente pelo divino.

Quanto à primeira (“a água como a origem de tudo”) poderia estar se referindo ao Oceano, o rio originário, que segundo as lendas antigas, banhava a Terra e era considerado o pai de todas as coisas. Essa era a interpretação de Aristóteles, três séculos depois.

Os antigos chineses acreditavam que os seres vivos eram animados por uma força vital incorpórea chamada Qi (pronuncia-se “tchi”) que fluía através deles.

Mais tarde, o conceito de alma foi incorporado a todas as principais religiões do mundo.

Falando de alma, fala-se que ela é imortal; então por que a vida é tão efêmera?

Bom, temos questões demais por ora.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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