Muita gente!

A população mundial é cerca de 7,952 bilhões, hoje, 07/06/2022, segundo o site Worldometers.info. Praticamente 8 bilhões de pessoas!

“Há 10.000 anos éramos apenas um milhão. Em 1800, faz pouco mais de 200 anos, já éramos um bilhão. Há 50, por volta de 1960, chegamos a 3,5 bilhões. Atualmente, superamos 7,5 bilhões. Em 2050, nossos filhos e os filhos dos nossos filhos viverão em um planeta habitado por no mínimo nove bilhões de pessoas. Antes do final do século atual, seremos pelo menos dez bilhões. Talvez mais.” (Stephen Emmott

Uma festa! Poucas pragas têm esse grau exponencial de expansão.

A que devemos esse crescimento absurdo, que tende a devastar o planeta e a própria humanidade?

Claro que a ciência está por trás dessa “maravilha”, principalmente nas melhorias das condições de saúde (antibióticos, saneamento etc.). O flexível sistema capitalista poderá se dizer corresponsável, com melhorias forçadas na renda e na geração de empregos. Nada que o socialismo também não possa reclamar para si.

Olhando o gráfico abaixo, percebe-se uma relação forte entre pobreza (com baixa educação, principalmente entre as mulheres) e a explosão demográfica.

Há esperanças de que, com o espraiamento e a precocidade da educação feminina, essa tendência se atenue, ao se reduzir a taxa de natalidade.

Países como Níger, atualmente com uma taxa de sete filhos por mulher, chegariam a um índice de natalidade semelhante ao França atual (1,8 por mulher, insuficiente para ampliar a população).

Sobre a ciência, há um fato interessante que merece destaque: a produção de alimentos tem acompanhado esse surto demográfico, apesar de toda a ineficiência distributiva, quase criminosa.

Sabemos do papel da Revolução Verde, nos anos 1960, apoiada em sementes híbridas, fertilizantes, agrotóxicos, monoculturas e mecanização, além de novas técnicas de gerenciamento agrícola.

Antes disso, entretanto, houve a descoberta da extração de nitrogênio – o principal nutriente que as plantas precisam para crescer – diretamente do ar. Com isso, solucionou-se o problema da escassez de fertilizantes, que ameaçava desencadear uma fome global, conforme previra Thomas Malthus (crescimento em progressão aritmética dos alimentos e geométrico da população).

Tal feito coube a Fritz Haber, objeto de um texto anterior (https://balaiocaotico.com/2022/06/01/o-bem-e-o-mal-de-maos-dadas-na-ciencia/), em 1907.

A pesquisa laboratorial de Haber foi transformada em um processo industrial, conduzido por um engenheiro da BASF, Carl Bosch, que construiu uma fábrica do tamanho de uma cidade pequena, operada por mais de cinquenta mil trabalhadores.

“(…) milhões de pessoas que até então dependiam de substâncias naturais como o guano e o salitre para adubar suas lavouras poderiam ter morrido pela falta de alimentos.

Em séculos anteriores, a demanda insaciável da Europa levara bandos ingleses a viajar até o Egito para saquear as catacumbas dos antigos faraós, não em busca de ouro, joias ou antiguidades, mas do nitrogênio contido nos ossos dos milhares de escravizados com os quais os reis do Nilo tinham se inumado para que continuassem a servi-los para além da morte. (…)

Eles já haviam desenterrado mais de três milhões de esqueletos na Europa, incluindo as ossaturas de milhares de soldados e cavalos mortos em batalhas, para serem moídos nos trituradores de ossos de Yorkshire para fertilizar os campos verdes de Albion. (Benjamín Labatut)

Atualmente, mais da metade da população mundial depende de alimentos fertilizados graças à invenção de Haber, o homem que “extraiu pão do ar”.

Mas, como nem tudo é lindo e perfeito, “o uso imediato do achado milagroso não foi alimentar as massas esfomeadas, mas prover a Alemanha com a matéria-prima de que precisava para continuar fabricando pólvora e explosivos durante a Primeira Guerra Mundial, depois de a frota inglesa ter cortado seu acesso ao salitre chileno.” (Labatut)

Com o nitrogênio de Haber, o conflito europeu se prolongou mais dois anos, aumentando as baixas de ambos os lados em vários milhões de pessoas.

A população humana parece reagir a todas as loucuras de exterminação perpetradas pelos loucos que nos comandam com a geração de mais gente para o front.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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