A mente submissa

(Lionel Trilling, 1905-1975)

“Jurei perante o altar de Deus eterna hostilidade a toda forma de tirania sobre a mente do homem.” (Thomas Jefferson)

Lionel Trilling se inquietava com o futuro da mente humana. Ele identificava, no seio da vida intelectual da nação, um retraimento do espírito.

Quando esta mente deixa de ser parte da superestrutura da sociedade e torna-se o modelo mesmo do estado-nação, qualquer diminuição de sua autoconfiança deve ser experimentada como uma diminuição da possibilidade nacional, como uma redução da esperança social.

Trilling repercutia o sentimento manifestado por H. G. Wells, num dos seus textos finais (de 1946), de que seria impossível contar com a capacidade mental que a humanidade exigia; não apenas para a conquista da felicidade, mas até mesmo para a sua sobrevivência.

Temos demonstrações diárias de que, por trás da névoa do progresso tecnológico, a humanidade tem se perdido em emaranhados exponenciais. Uma das consequências é o abandono da capacidade de se usar a mente para proveito da vida – pessoal e coletiva.

Abre-se mão da reflexão e adota-se esquemas padronizados, liderados por agentes com preocupações exclusivamente pessoais, que vêem a população como mera massa amorfa, sem questionamentos.

É uma realidade cíclica que gera nalguns uma nostalgia do mal.

O apequenamento da mente se dá na festa da fragmentação do saber, na especialização excessiva, no irracionalismo em voga e, doutro lado, no racionalismo mecanicista. A mente se vendo à parte do todo, ao invés de parte.

A tua melancolia é mesquinha: nem sequer ousa viver plenamente.” (Paul La Cour)

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

Um comentário em “A mente submissa

  1. Jurei perante o altar de Deus eterna hostilidade a toda forma de tirania sobre a mente do homem.” (Thomas Jefferson).
    Está é uma das mais infames frases que só poderia vir de uma mente insana. Débil e doentia. É claro que não é de hoje que temos mentes doentias, mas nós últimos tempos temos visto mentes tão infames que não somos capaz de descreve-las. Nunca se buscou tanto os psiquiatras como nos últimos tempos. E o pior é, as vezes quando se busca tratamento para a mente o mal já aconteceu. Em meus modestos estudos jurídicos a psicopatia é uma doença da mente que não existe cura. Ela as vezes aparentemente dá uma trégua na mente doentia , mas a qualquer momento se manifesta abruptamente causando danos irreversíveis aos mais próximos do doente mental (psicopata) é sabido também nos meios jurídicos que o grande problema desse mal da mente, é que o doente cria uma certa antipatia pelos mais próximos. Mães, Pais, irmãos, mulheres, maridos e filhos quando na verdade os que o doente deveria amar é exatamente o alvo de sua crueldade. Não quero aqui demonizar os doentes da mente. É algo independente de sua vontade. A sanidade da mente como cita o texto é para o bem estar do ser e dos outros. Exatamente em casos de delitos são inimputáveis. Encaminhados a tratamento. E como pensam alguns que logo ficarão curados. Enganam-se. É algo irreversível e um tratamento que as vezes passará a vida inteira jogados nos manicômios . O assunto é vasto. As doenças da mente são mais comuns do que pensamos. Fico por aqui . Esse assunto demanda várias nuances que precisamos ainda estudar muito.

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