A Nêmesis chegará?

(Aubrey David Nicholas Jasper de Grey, 59 anos)

Aubrey de Gray é diretor científico de uma organização que se dedica a um modelo de reparação de danos projetado para combater as doenças da velhice, consertando ou desfazendo o que o corpo causa a si mesmo simplesmente por estar vivo.

Ele sugere que a ciência médica está prestes a desenvolver tecnologias que, por meio de melhorias progressivas que fiquem um passo à frente do problema, estenderão a vida humana média para quatro dígitos.

Em paralelo, há visões como a de Ray Kurzweil e Terry Grossman, que anunciam a medicina da imortalidade.

Concomitantemente, Kurzweil prega a iminente chegada da Singularidade Tecnológica, quando poderíamos dominar a ciência a ponto de copiar o conteúdo de nosso cérebro (e com isso nossa personalidade) para implantá-lo em super-humanos – e viver para sempre.

Fui ver uma das suas “apresentações”, há dez anos. Na época, ele tomava 250 pílulas ao dia. O objetivo era estar vivo para ver quando a máquina poderia reproduzir e conservar a complexidade humana.

Vernor Vinge, matemático e autor de ficção científica, em 1993, já defendia a tese de que o crescimento exponencial da tecnologia chegará a um ponto, a singularidade tecnológica, a partir do qual não será mais possível sequer especular sobre as consequências.

E, que a extinção física da raça humana é uma possibilidade. Questiona se a existência de seres humanos faria sentido se todo ato, inclusive experiências sentimentais, pudesse ser melhor replicado por máquinas.

São muitos os que apostam nesse “destino”; curiosamente os bem-endinheirados, como Bill Gates, Sergey Brin, Peter Thiel, Jeff Bezos, Larry Ellison

Parece com a busca do rei Gilgámesh pelo segredo da vida eterna, ou do apelo ao Santo Graal das Lendas Arturianas. Os que tentaram nessas epopeias não conseguiram, mas …

Fico abestalhado com essas possibilidades que, porém, podem não ser para todos.

Lembro daquela história dos neandertais e Homo sapiens. Os primeiros surgiram há cerca de 400 mil anos e foram substituídos/suplantados pelos humanos atuais, há aproximadamente 30 mil anos.

A ONU estabeleceu os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e, seu principal objetivo seria: “Até 2030, erradicar a pobreza extrema para todas as pessoas em todos os lugares, atualmente medida como pessoas vivendo com menos de US$ 1,25 por dia”.

No entanto, a pobreza extrema no mundo passou de 655 milhões de pessoas, em 2019, para 732 milhões em 2020. E, o número de pessoas enfrentando a fome ou em pior situação aumentou em 40 milhões no ano passado. Estima-se que 193 milhões de pessoas enfrentam uma situação de “segurança alimentar aguda”.

“Coincidentemente”, existem ao redor de 800 milhões de pessoas analfabetas no mundo. No Brasil, 41% das crianças entre 6 e 7 anos não sabiam ler e escrever em 2021; em 2012, este percentual era de 28%.

A desigualdade crescente entre ricos e pobres só aumenta, gerando assimetrias cada vez maiores de acesso a bens materiais e imateriais.

Estamos criando distintos tipos de Homo sapiens: os que podem aspirar à “imortalidade”, ciborgues e extremamente longevos e, os que os sustentam, desnutridos, atrofiados e degradados.

“Se hoje a compaixão dos materialmente ricos pelos materialmente pobres é pequena, imagine como será quando se tornarem espécies diferentes.

Há milênios, é mínima a troca cultural entre os ricos e os pobres – e a troca genética é quase nula.

Estão dadas, portanto, as condições para a separação gradativa dessas linhagens de Homo sapiens, com a evolução de espécies distintas marcadas pelo contraste entre a privação e a opulência quase absolutas.” (Sidarta Ribeiro)

Esses pensamentos me levaram ao livro “A Máquina do Tempo”, de H. G. Wells, escrito em 1895:

“A bordo de uma Máquina do Tempo, um cientista londrino viaja do século XIX para o ano de 802701.

Chegando no que seria a Londres do futuro, o Viajante do Tempo encontra duas espécies evoluídas do ser humano: os Eloi, que viviam na superfície, e os Morlocks, que se escondiam da luz no subterrâneo.

O Mundo Superior era habitado por seres frívolos, delicados e infantis que estavam prestes a conhecer a sua Nêmesis, resultado de decisões tomadas no passado.”

A palavra Nêmesis, no grego antigo, é derivada do verbo distribuir.

Na mitologia grega, Nêmesis era a deusa da vingança, que castigava o comportamento degenerado dos seres humanos. Seria uma defensora do equilíbrio, justiça e vingança divina, que castigava os homens que quebravam as leis estabelecidas. 

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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