“Invejo a burrice, porque é eterna.” (Nelson Rodrigues)

(Avram Noam Chomsky, 94 anos)

Como destruir um planeta sem fazer muito esforço. Este é um capítulo de um livro de Noam Chomsky.

Um historiador do futuro – se houver – perceberá que neste nosso mundo, existem os que estão tentando com afinco fazer algo em relação às ameaças que nos cercam e outros que estão agindo para intensificá-las. O curioso é que as pessoas que estão tentando mitigar ou derrotar essas ameaças pertencem às sociedades menos desenvolvidas, principalmente os povos indígenas, comenta Chomsky.

Os governantes – independentemente do discurso – são mantidos para desviar o foco do povo de quem realmente manda: os detentores do poder econômico.

Ao mundo corporativo interessa que os funcionários públicos sejam desprezados, rotulados como burocratas que roubam o dinheiro dos cidadãos na forma de impostos. Isso ajuda a extirpar da mente das pessoas a ideia subversiva de que o governo pode se tornar um instrumento de efetivação da vontade popular.

Quanto maior a polarização política, maior a alienação dos cidadãos com relação a seus próprios interesses.

Claro que há excessos, disfuncionalidades, ineficiências, corrupção; tudo na medida que justifique a culpa por nossas desgraças exclusivamente aos governantes. Naturalmente, eles são os atores principais, mas há os que ficam nos bastidores, dirigindo-os.

Adam Smith já chamava a atenção para os industriais e comerciantes ingleses, que batizou-os como “os mestres da humanidade”. A máxima deles seria “tudo para nós e nada para os outros”.

O egoísmo das elites e o distanciamento crítico da grande maioria – por razões diversas: ignorância, anticientificismo, manipulação ideológica etc. – vão paulatinamente deteriorando a possibilidade de convivência adequada, ambientalmente e socialmente.

“A desenfreada ocupação humana do planeta vem causando um aniquilamento massivo de espécies, a sexta grande extinção desde o início da vida.

Essa extinção abrange várias famílias de plantas e animais, incluindo mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes e invertebrados, e acontece ao menos cem vezes mais rápido do que o esperado pelas taxas naturais de extinção.

Ao mesmo tempo, a crescente globalização das culturas humanas majoritárias acelera o processo de extinção de minoritárias.

Até 2100, estima-se que metade das mais de 7 mil línguas humanas hoje existentes estará extinta.

Isso equivale a dizer que as perdas de biodiversidade se somarão a uma colossal perda de saberes.” (Sidarta Ribeiro)

Talvez não dê para determos o avanço da “máquina do fim do mundo”, como se refere Chomsky ao aquecimento global, risco de guerra nuclear e desinformação.

O ar fica irrespirável, os oceanos tornam-se ácidos, o solo se exaure, as florestas tornam-se savanas, as savanas viram desertos, os alimentos vêm carregados de defensivos e antibióticos, a coesão social se esfarela, a insegurança (alimentar, social, de renda) explode em síndromes e transtornos …

Não vejo como convencer os mais fortes de que ajudar os mais fracos também os beneficia.

A conta virá, talvez não para mim ou você, mas para nossa espécie.

Segundo Nelson Rodrigues, “subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”. O mesmo vale para a burrice. Aliás, ele já ia ao ponto: “Invejo a burrice, porque é eterna.”

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: