O mundo não é justo; só apertado

Jesus foi traído. Judas é o que foi escolhido para judas. Muitos o traíram; ele é traído por nós, por dois milênios, principalmente por seus ricos supostos representantes terrenos.

O poder tem seus interesses, dinâmicos e desenfreados; esses interesses moldam a “justiça”. Nós, ah! nada somos.

” (…) Já há tantos séculos que a humanidade roga com ardor: ‘Senhor, digna-Te aparecer-nos’, já há tantos séculos que para Ele vão seus gritos, que, na Sua misericórdia infinita, quis descer junto dos fiéis. (…)

Apareceu suavemente, sem se fazer notar, e, coisa estranha, todos O reconhecem; a explicação do
motivo seria um dos mais belos passos do meu poema; atraído por uma força irresistível, o povo comprime-se à Sua passagem e segue-Lhe os passos.

Silencioso, passa pelo meio da multidão com um sorriso de compaixão infinita. Tem o coração abrasado de amor, dos olhos se Lhe desprendem a Luz, a Ciência, a Força que irradiam e nas almas despertam o amor.

Estende-lhes os braços, abençoa-os, e uma virtude salutar emana do Seu contato e até dos Seus vestidos. Um velho, cego de criança, grita dentre o povo: ‘Senhor, cura-me e ver-Te-ei’; cai-lhe uma escama dos olhos e o cego vê.

O povo derrama lágrimas de alegria e beija o chão que
Ele pisa. As crianças deitam-Lhe flores no caminho; todos cantam, todos gritam: Hosana!

É Ele, deve ser Ele, não pode ser senão Ele!

Para no adro da Catedral de Sevilha, no momento em que trazem um caixãozinho branco, com uma menina de sete anos, filha única de um homem importante. A morta está coberta de flores.

Vai ressuscitar a tua filha – gritam da multidão para a mãe cheia de lágrimas.
O padre que viera ao encontro do caixão olha com ar perplexo e franze o sobrolho.

De repente, ouve-se um grito e a mãe lança-se-Lhe aos pés: ‘Se és Tu, ressuscita-me a filha!’ – e estende-Lhe os braços. O préstito para, pousam o caixão nas lajes. Ele contempla-o com piedade e a Sua boca profere suavemente, uma vez mais: Talitha kum, e a menina levantou-se.
Soergue-se a morta, senta-se e olha em torno, sorridente, com um ar de espanto; segura nas mãos o ramo de rosas brancas que lhe tinham posto no caixão.

Na gente que assiste, há perturbação, gritos e choros.

Neste instante, passa pela praça o cardeal grande inquisidor. É um velho alto, quase nonagenário, com uma face seca e olhos cavados, onde ainda brilha, porém, uma centelha.

Não tem o vestuário pomposo com que no dia
anterior se pavoneava diante do povo, enquanto se queimavam os inimigos da Igreja romana; voltou ao grosseiro burel.

Os taciturnos ajudantes e a guarda do Santo Ofício seguem-no a respeitosa distância. Para diante da
multidão e observa-a de longe.

Viu tudo, o caixão pousado perante Ele, a ressurreição da criança – e a face tornou-se-lhe sombria. Franze as espessas sobrancelhas e os olhos brilham-lhe com sinistro clarão.

Aponta-O com o dedo e ordena aos guardas que O prendam.”

(Trechos de O Grande Inquisidor, de Dostoiévski)

Os homens preferem matar ou morrer a ter que distinguir entre bem e mal. Decidir, o que fazer, por contra própria, gera o pânico, nas palavras de Vadim Nikitin. Para isso existem os ideólogos, os bots, e os advogados, consciências de aluguel.

Lembremos como funciona a “justiça” humana: com o término da II Guerra, a Europa culpou a Alemanha pelo que aconteceu, os alemães por sua vez culparam os nazistas, e estes, Hitler, já morto. Todos se sentiam livres, sem culpas; haviam sido inebriados.

Em 1943, na declaração de Moscou, Roosevelt, Churchill e Stálin concordaram solenemente que os criminosos de guerra não iam escapar à justiça; seriam perseguidos até os confins da Terra para serem julgados.

De fato, os aliados logo perceberam que um novo perigo nascera, o comunismo, tão grande como fora o Terceiro Reich, acreditavam. Então, começaram a procurar os agentes alemães que ficaram atrás das linhas inimigas (os stay-behind), não para ser presos ou fuzilados, mas para ser reutilizados com vista a uma possível nova guerra, contra os comunistas.

Além disso, os americanos criaram a Operação Paperclip, para recrutar cientistas nazistas especializados em aeronáutica, guerra biológica e química e pesquisa nuclear.

E, vários corredores “humanitários” foram criados para a fuga de criminosos nazistas, como o “Corredor Vaticano“, um dos mais importantes.

Esses são exemplos da justiça humana. Hipocrisia, mentiras.

A Justiça é o véu da impunidade.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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