Sobre a Ucrânia

(Um bairro de Kiev)

Aparentando uma crise de transtorno paranoide, com seu excesso de desconfiança em relação aos outros, ou de psicopatia (a partir de alguns comportamentos como mania de perseguição, desrespeito às normas, impulsividade, baixa tolerância a frustrações, perfeccionismo), o líder russo resolveu atacar um país livre, a Ucrânia, pelo motivo, de fato, de ser seu vizinho.

Em 2008, uma equipe da CIA tentou traçar o perfil psicológico (a partir exclusivamente de imagens!) de alguns líderes. Putin aparecia como portador de síndrome de Asperger (SA), um transtorno autista. Ele deu risadas. É possível que seu caso seja de Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN), muito confundido com o autismo, porém perigoso.

Duas das principais alegações feitas por Putin para anexar (ou colocar um líder dócil no lugar de Volodymyr Zelensky, como acontece noutras “repúblicas” vizinhas) foram:

  • a Ucrânia não existe, sempre foi parte da Rússia, aliás, seu berço;
  • desnazificar a Ucrânia.

A Ucrânia é uma nação desde sempre, com sua língua e cultura próprias. Tornou-se Estado, entretanto, há pouco tempo: em 1917, após a Revolução Russa, entrando na União Soviética em 1922 e, em 1991, após seu colapso.

“Até o século XV, o povo chamava a si mesmo e à sua terra de ‘Rus’, não Rússia (‘Rossiia’), e ela compreendia muitos territórios que hoje não estão mais dentro das fronteiras russas.

Desde o princípio, ela continha povos que não eram russos, nem mesmo eslavos, mas que os russos viam como parte integrante de sua sociedade.” (Paul Bushkovitch)

Um dos principais “heróis” ucranianos é um poeta e desenhista, Taras Shevchencko! Na década de 1860 o tzar proibiu publicações em ucraniano, por medo do movimento nacionalista.

“Oh, enterrem-me, depois rebelem-se/ E quebrem seus grilhões/ E lavem com o sangue dos tiranos/ A liberdade recém-conquistada …” (trecho de um poema de Shevchencko)

Nós, brasileiros, fomos premiados com esse sentimento literário, com a vinda de Clarice Lispector e da família de José Mindlin, entre outros ucranianos (e judeus).

Esse sentimento nacionalista se fortaleceu às vésperas da Revolução de 1905.

A Polônia, que é eslava, chegou a desaparecer diversas vezes do mapa geopolítico da Europa. Em 1610, o exército polonês (e lituano) derrotou as forças russas (e suecas, aliadas, então). Os poloneses contaram, nesta marcha contra Moscou, com cossacos ucranianos.

Colocaram um príncipe polonês como Tzar. Nessa época, Rússia e Polônia juraram uma “paz eterna”! A eternidade durou até 1634. Depois, os poloneses só sofreram reveses.

Há muita história no meio.

Não é à toa que 74% dos poloneses, em pesquisa recente, consideram como alta ou média a probabilidade de um ataque russo à Polônia.

Sobre os “neonazistas”, título propagandístico decorrente do errôneo apoio que muitos ucranianos deram aos alemães durante a invasão à Rússia, na Segunda Guerra, convém lembrar do genocídio promovido por Stálin na década de 1930 contra o povo ucraniano.

Um dos líderes desse apoio aos nazistas foi Stepan Bandera, nacionalista que, ao perceber que os alemães não seriam salvadores do stalinismo, foi preso pelos nazistas e colocado no campo de concentração. Terminou envenenado pela KGB!

Há um ano escrevi um pequeno texto sobre o Holodomor (“extermínio pela fome”), abaixo. 

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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