A história é renitente

Em 1989, o historiador neoliberal Francis Fukuyama se empolgou com a concomitante derrocada de regimes totalitários, de esquerda e direita, e escreveu sobre o fim da história. Em 1992 saiu o livro (O Fim da História e o Último Homem), sucesso de crítica (favoráveis e destruidoras).

Ele se apoiou nas ideias de Hegel (e depois, Marx) de que haveria “um desenvolvimento coerente das sociedades”. Um processo evolutivo, dialético, que “não seria casual nem ininteligível, embora não fosse linear e fosse até mesmo possível questionar se o ‘progresso’ histórico contribuía ou não para a felicidade e o bem-estar do homem.”

A consequência desse processo seria um “fim da história”. Para Hegel, esse ápice seria o Estado liberal; para Marx, a sociedade comunista. Fukuyama optou por Hegel, obviamente.

Ele enxergou nos acontecimentos do final do século passado a prova de que a história da humanidade é coerente e direcional (ascende): seu destino seria a democracia liberal, “o ponto final da evolução ideológica da humanidade.”

Talvez tenha esquecido de “combinar com os russos”.

A história recua, dá saltos acrobáticos, cria ondas e marasmos, encanta, desilude … um jogo infinito, no qual, conforme James Carse, os participantes estão sempre mudando e as regras não são precisas.

Na história predomina a Complexidade, por mais que Ordem (e Progresso) seja o lema de uma sociedade. Ao contrário do que pensava Fukuyama, a história é “casual” (acaso) e não é inteligível. Acertou quando disse que não era linear; não é – é sinuosa, cheia de vórtices e, às vezes, um foguete, exponencial.

A democracia liberal não é um destino; é uma possibilidade.

Depois, em 2011, ele reconheceu que “todas as instituições políticas tendem a decair com o tempo”. Ah, mas ele apostava na decadência do Estado chinês! Precipitado, esse “cientista político”.

Um outro, mais pé no chão, Henry Kissinger, escreveu:

“A China imaginou uma hierarquia cultural global tendo o imperador em seu pináculo.

Na Europa, com a queda de Roma, os povos refinaram um conceito de equilíbrio de Estados soberanos e buscaram exportá-lo para todo o mundo.

O Islã, em seus séculos iniciais, se considerava a única unidade política legítima, destinada a se expandir indefinidamente até que o mundo conquistasse a harmonia por meio de princípios religiosos.

Os Estados Unidos nasceram de uma convicção sobre a aplicabilidade universal da democracia – uma convicção que desde então conduz suas políticas.”

Valores, ideologias, crenças, bravatas … discursos do poder! A guerra é sua manifestação mais estúpida! Os beneficiados são sempre os mesmos: os que a promovem.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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