Pobre país rico

Estamos, nós brasileiros, numa armadilha, num labirinto, e não encontramos a saída.

A burocracia, que paramenta nossa opressão, é um símbolo desse esquema que desvia nossas possibilidades de sermos relevantes.

Sou de uma geração que se prepara para dar espaço aos novos entrantes, os millennials, ou geração Y. Que espaço? Embora sejam cerca de 34% da população e 1/4 deles tenham curso superior completo, só a metade está inserida no mercado de trabalho. Pior cenário se apresenta para a geração Z.

Como pode, uma geração, não enxergar possibilidades econômicas? Lembro do desastre que foi a década perdida nos anos 80. Felizmente serviu para derrubar a ditadura militar. Pelo menos, no campo cívico, houve um avanço. Espero que novamente os jovens despertem.

Vivemos num país aprisionado, desde sempre, pelos poderosos, endinheirados e seus cupinchas políticos, que se beneficiam da miséria da maioria. É o Sistema, moedor de pobres, como diz Alexandre Ostrowiecki:

“Os humildes pagam um percentual de imposto maior que os bilionários, o feirante paga IPVA no seu veículo de trabalho enquanto o rico tem helicóptero isento, a doméstica financia faculdade grátis do filho da patroa, enquanto seu marido pedreiro financia, via FGTS, os juros subsidiados das grandes empreiteiras. (…)

Via impostos estratosféricos cobrados dos mais pobres, todos arcam com os carros oficiais das vossas excelências, os cabides de emprego dos ministérios, as pensões vitalícias das filhas de militares … ” (Alexandre Ostrowiecki)

O chato é que todos sabemos disso, e esses abusos só se acentuam. Logo vamos reeleger nossos sanguessugas; afinal, as sangrias ainda são vistas como necessárias para se evitar dificuldades circulatórias (desde que aplicadas nos membros inferiores da sociedade).

Tudo é referendado por sabidos “intelectuais”, que se postam a serviço de uma elite insensível.

“Tamanha violência simbólica só é possível pelo sequestro da inteligência brasileira em prol do 1% mais rico, que passa a monopolizar os bens e recursos escassos.

Os poucos que hoje controlam tudo precisam desse ‘exército de intelectuais’, do mesmo modo que os coronéis do passado precisavam de seu pequeno exército de cangaceiros.” (Jessé Souza)

Por garantia, alguns políticos inseguros quanto ao futuro, ainda estimulam a formação de milícias, através de expropriação autônoma.

A população é conduzida a se preocupar, por exemplo, com a geração de superávits primários (receitas menos despesas não financeiras). Entretanto, um deslocamento da Selic num ponto percentual já representa um fluxo de recursos para os financiadores da dívida pública em cerca de R$ 55 bilhões. De janeiro 2021 a fevereiro deste ano, a Selic saiu de 2 para 10,75%. Essa elevação representa aproximadamente R$ 480 bilhões. Isso é muito mais do que a soma dos orçamentos da Saúde (R$ 148 bilhões), Educação (113) e Auxílio Brasil (89).

Portanto, nossos representantes acham insignificantes os R$ 6 bilhões (R$ 4,9 para o Fundo Eleitoral + R$ 1,1 para o Fundo Partidário) destinados às suas reeleições.

É fácil ser o gestor desse cassino. Nós, viciados nesse jogo, não temos expectativa de vencer. Sabemos que vamos continuar perdendo; mas não sabemos parar.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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