Façamos do alimento o nosso remédio

Como você lava frutas e verduras? Jeito certo livra comida de 250 bactérias  - 19/03/2018 - UOL TILT

Um amigo era hipocondríaco. Suas gavetas, no trabalho ou em casa, suas valises, seus bolsos – onde menos se esperava – eram cheios de remédios. Remédios para as suas doenças crônicas – das quais falava com um certo orgulho (sim, também tinha síndrome de Münchausen) – e para eventualidades. Ao viajar, se pudesse, se hospedaria numa Clínica. Morreu – consagrou-se – antes dos 50 anos de idade.

Antes do Google, era a ele que perguntávamos sobre qualquer problema de saúde.

Com variadas intensidades, somos devotos do Sistema de Saúde, com suas catedrais (hospitais), ícones (medicamentos), sacerdotes (médicos) e teólogos (indústria farmacêutica).

Todos sabemos que Sistema de Saúde é uma forma “inteligente” para se referir ao verdadeiro Sistema da Doença. Não há foco na saúde, apenas nos sintomas, na doença.

A propósito, dolere, o verbo que lhe deu origem, significa “sentir dor em” ou “causar dor a”.

Aqui, temos Clemente Nóbrega pregando há anos “a inversão do atual foco da medicina de ‘diagnóstico e tratamento’ para ‘antecipação e prevenção’.

“O problema inerente é que a maioria das estratégias farmacológicas nos países ocidentais não se dedica às causas subjacentes das doenças, que não são deficiências de medicamentos.” (Walter Willett, da faculdade de saúde pública de Harvard)

Somos dependentes, reféns, das indústrias farmacêutica e alimentícia (produtos processados e muitos, ultraprocessados). Nem me refiro aos junk foods que viciam nossas crianças.

Confundimos saciedade e prazer imediato com intensidade de vida. Refrigerantes, bolos, doces, lanches salgados, massas afogadas em molhos … tudo que a indústria alimentícia sabe que significa “sabor”, representam abrir mão de bem-estar futuro (saúde) por um êxtase momentâneo.

Apesar da fome endêmica no mundo, há mais pessoas morrendo de doenças relacionadas ao consumo excessivo e errado de comida.

Alimentos naturais ricos em fibras, vitaminas, minerais, antioxidantes e muitos fitoquímicos podem prevenir e curar uma quantidade infinita de doenças.

Hipócrates, que morreu em 377 a.C., já falava isso (“Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio”).

O que os médicos aprendem – em geral – como medicina preventiva são medidas medicamentosas após uma doença já estabelecida. Exemplo: se o “paciente” apresenta colesterol alto, receita-se estatina para prevenção de um ataque cardíaco. Ora, por que não se evita que o sujeito tenha colesterol alto?

Porque isso não interessa à indústria de alimentos nem à farmacêutica, apesar de que mais de 90% dos ataques cardíacos podem ser evitados com mudança no estilo de vida do paciente – principalmente no padrão alimentar. O gasto mundial com medicamentos que requerem prescrição médica ultrapassa US$ 1 trilhão.

Se prevalecesse a lógica, Thomas Edison teria acertado, ao dizer, em 1903, que “o médico do futuro não prescreverá medicamentos, mas instruirá os pacientes sobre os cuidados com o corpo, sobre a dieta e sobre a causa e prevenção de doenças.”

Há muitas evidências de que nossas doenças crônicas são, preponderantemente, causadas por hábitos alimentares:

  • gêmeos idênticos separados no nascimento terão doenças diferentes de acordo com os hábitos de cada um deles;
  • estudos sobre migração mostram que quando as pessoas se mudam de áreas de baixo risco para outras com risco elevado, a probabilidade da doença iguala-se à do novo ambiente;
  • na China, com o crescente abandono da tradicional dieta à base de vegetais, à medida em que o país “enriquece”, tem havido um rápido crescimento do número de doenças crônicas, como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e câncer;
  • mulheres com alimentação rica em vegetais naturais (não processados) podem reduzir em 90% as chances de desenvolver câncer de mama;
  • câncer de cólon – o segundo que mais mata nos EUA – teria sua incidência reduzida em até 70% por meio de mudanças na dieta e no estilo de vida; etc.

A ideia de se associar determinadas doenças à genética está sendo desmontada, a partir do entendimento da epigenética: não é pelo fato de se nascer com genes ruins que não se possa efetivamente desligá-los.

“Pense em uma simples abelha. As rainhas e as operárias são geneticamente idênticas, porém as primeiras põem até dois mil ovos por dia, enquanto as operárias são funcionalmente estéreis.

A abelha rainha vive até três anos; a operária pode viver apenas três semanas.

A diferença entre as duas é a dieta: quando a rainha da colmeia está morrendo, uma larva é apanhada por abelhas enfermeiras para ser alimentada com uma secreção chamada geleia real.

Quando a larva come essa geleia, a ação da enzima que bloqueava a expressão dos genes reais é suspensa e uma nova abelha rainha emerge.

A rainha tem os mesmos genes de qualquer operária, mas, por causa do que ela comeu, diferentes genes agem e, como resultado, sua vida é alterada de forma radical.” (citado por Michael Greger)

Livros recomendados:

  • “Voltando ao Normal”, por Allen Frances, 2013;
  • “Comer para Vencer Doenças”, de William W. Li, 2019;
  • “Comer para não Morrer”, por Michael Greger e Gene Stone, 2015.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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