Trazemos a maldade conosco?

Adolf Hitler com Rosa Bernile Nienau
(Hitler e Rosa Bernile Nienau, então com 6 anos. Ela, de origem judaica, parece ter sua simpatia, talvez por aniversariarem no mesmo dia)

O mal está no coração da pessoa? É inato, adquirido ou reativo?

O ser humano é um “ser caído”, que carrega o pecado na sua origem? Temos, de fato, o “livre-arbítrio” e, se sim, ele nos chegou como galardão ou como punição?

“Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal, que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!” (Gênesis 3: 22)

Quando queremos podemos ser perversos, torturadores, repugnantes … mas, às vezes, a mesma pessoa pode ter rompantes de empatia, solidariedade, afeto. Como entender esse ser – o mais complexo que conhecemos?

“Conheço com lucidez e sem prevenção as fronteiras de comunicação e da harmonia entre mim e os outros homens. Com isso perdi algo da ingenuidade ou da inocência, mas ganhei minha independência. Já não mais firmo uma opinião, um hábito ou um julgamento sobre outra pessoa. Testei o homem. É inconsistente.” (Einstein)

Nosso comportamento, conosco e com os outros, não é ditado por nossos genes, exclusivamente. O DNA não rege nosso destino – não somos pré-determinados ao nascermos.

Claro que há uma “conformação” na formação, naquilo que carregamos para a corrida de fundo, com obstáculos, que é o nosso passeio nesta vida. O ambiente – e nossa capacidade de resposta a ele -, porém, são agentes importantes na nossa trajetória.

Em testes, os genes explicam 70% da variação de funções cognitivas em crianças ricas e apenas 10% em crianças pobres. O ambiente pode achatar e silenciar a influência da variação genética.

Locke afirmava que a mente humana é, ao nascimento, uma “página em branco”. Não é bem assim, evolutivamente. “Podemos assim traçar a origem do pensamento … ela obedece às mesmas leis que outras partes da estrutura”, destacou Darwin.

Ou seja, os mecanismos biológicos transmitem, através das gerações, formas de pensar e de se comportar moldadas pela seleção natural.

Entre esses mecanismos está o efeito dos hormônios que, agindo nas horas ou dias anteriores, pode modificar o grau de resposta do cérebro a um estímulo e os comportamentos que dele decorrem.

Um desses hormônios é, a ocitocina, que, entre outras funções, ajuda a desenvolver apego e empatia entre pessoas, produzir parte do prazer do orgasmo e modular a sensibilidade ao medo do desconhecido. Ela é conhecida como o “hormônio do amor”.

Como não há linha reta na natureza, pesquisas mostraram que ela está sim envolvida na facilitação de vínculos entre seres humanos, porém … só entre aqueles identificados como parte do mesmo grupo.

Níveis mais altos de ocitocina sinalizam, também, reações mais excludentes e agressivas com pessoas de fora do grupo. Isso talvez explique parte das polarizações atuais e a busca de líderes alfas para os grupos – até porque o consumo de ocitocina (na forma de cápsulas, líquida ou em spray) é crescente.

No homem, este hormônio é capaz de diminuir a agressividade, deixando-o mais amável, generoso e social, embora sua atuação seja muitas vezes bloqueada pela ação da testosterona e dos efeitos da “tribo”. A ocitocina é, na verdade, o hormônio do “amor paroquial”.

David Wilson e Elliott Sober retomaram o assunto da coevolução genes-cultura e a questão do comportamento cooperativo, através da seleção individual – parental ou no “toma-lá-dá-cá”) e a seleção de grupo.

“Outra disposição própria do homem é o excepcional prolongamento do desenvolvimento cerebral depois do nascimento.

Esse processo torna a organização cerebral adulta dependente, de maneira crítica, do ambiente social e cultural no qual a criança se desenvolveu.

Traços ‘epigenéticos’ de aprendizagem (por seleção de sinapses) depositam-se na rede neural em desenvolvimento.

Eles se estabelecem quando da aquisição da linguagem maternal, da fixação de crenças e da internalização das regras morais. (Jean-Pierre Changeux)

Recuperemos Anaximandro (611-547 a.C.), que escreveu “no início o homem era semelhante a outro animal, a saber um peixe …” (premonição da concepção evolucionista?) e, usava a palavra indefinido (“apeiron“) – aquilo que é inacabado – para referir-se ao princípio das coisas (“arkué“).

Paremos por aqui, para não ficar cansativo.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: