O massacre do navio Zong

Man Like A Horse: The Story Of The Massacre On A Zong Boy Carrier

A comida e a água não eram suficientes para a tripulação e os africanos escravizados. O encarregado da logística não era preparado.

Algo precisava ser feito. Adivinhem!

Numa reunião, a tripulação concordou por unanimidade: os negros alimentariam os tubarões.

Começaram pelos considerados de retorno menos imediato: 54 mulheres e crianças foram jogadas ao mar.

Dois dias depois, descartaram 43 homens – os mais debilitados; depois mais 36.

Dez escravos, desafiando a crueldade dos seus algozes, saltaram no mar.

Os remanescentes e a tripulação sobreviveram. 142 pessoas, de um total de 440 africanos, foram mortas, por um planejamento mal feito.

Quando o navio chegou ao seu destino, a Jamaica, começou a disputa judicial entre os donos da indignante empreitada e a companhia de seguros.

A seguradora alegava que a apólice não dava cobertura para os seres humanos que morressem de “causas naturais”.

Ninguém queria admitir que houvera um crime: admitir que foi homicídio significava que as vítimas eram seres humanos, e não “carga”, mercadoria.

Ninguém foi condenado, como esperado.

Esse crime ocorreu em 1781.

O navio zarpara de Gana e iria “abastecer” os produtores de cana na Jamaica.

Essas viagens, dependendo do tempo, duravam de seis semanas a meses, e a alimentação dos capturados era arroz e água. Normalmente, 1/6 morria, devido às condições deploráveis dos navios. No caso do Zong, morreu 1/3.

“Em geral, os mortos eram lançados ao mar porque sob a perspectiva do empreendimento comercial, eles eram ‘cargas’ estragadas, haviam perdido seu valor”, explica Vincent Brown.

No Zong, no entanto, os africanos capturados foram lançados ao mar ainda vivos.

“Condições meteorológicas desfavoráveis e erros de navegação resultaram em uma viagem que demorou meses, em vez de semanas.

E, a cada dia que passava, o capitão Luke Collingwood via sua margem de lucro diminuir à medida que doenças se espalhavam pelo convés e porões do navio.

Foi assim que, em 29 de novembro de 1781, ele tomou a decisão de lançar os africanos capturados mais debilitados ao mar para morrerem afogados — alguns deles ainda algemados.

Uma decisão de cunho comercial, com o objetivo de minimizar seu prejuízo.

Dado seu estado de saúde, os africanos lançados ao mar valiam mais para a tripulação do navio mortos do que vivos.” (Fonte: BBC News)

Ademais, a comida estava acabando.

Ironicamente, o Zong era antes um navio negreiro holandês, e se chamava Zorg, que significa “cuidado”, “zelo”.

William Turner imortalizou o episódio na pintura abaixo, “Navio Negreiro”:

1 - MUSEUM OF FINE ARTS BOSTON - MUSEUM OF FINE ARTS BOSTON

O tráfico de escravos pelos ingleses continuou até 1807.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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