Gurus ou guris?

Administrador Romeo Busarello fala sobre poder transformador da tecnologia
(Romeo Busarello, 55 anos)

“Achei que iria chegar aos 55 anos e as empresas iriam querer os gurus – mas elas querem os guris”, disse recentemente Romeo Deon Busarello.

É a crença no etarismo.

A razão disso é que muitos ficam para trás, soterrados pelas inovações, sentindo-se incapazes de situar-se “neste mundo”, o das novidades transformadoras.

“O mundo não vai se adaptar a mim. Tenho de me refundar, porque o que me trouxe até aqui não é o que vai me levar adiante.

Hoje, inovação é ‘ter ou morrer’. Só que para ter inovação, uma das condições é que você tenha diversidade e pluralidade, acompanhada de segurança psicológica. Se você não tiver segurança psicológica, você não avança.

As pessoas precisam ter opiniões, permissão para serem vulneráveis, externarem pontos de vista, emitirem opiniões, contestarem, discordarem…” (Busarello)

Busarello é palestrante, advisor e mentor. Iniciou sua vida profissional em marketing e foi pioneiro em muitas das técnicas surgidas nas últimas décadas, que deixaram muitos profissionais coçando a cabeça.

Veja aqui sua entrevista, na íntegra: https://www.projetodraft.com/romeo-busarello/

Um de seus lemas é o do referencial Walter Longo: “O grosso do dia a dia são pendências, mas você tem que saber reservar uma parte do seu tempo para tendências. A pendência de hoje foi a tendência de ontem”.

Os sábios de hoje são os que aceitam suas dúvidas, situação que cabia anteriormente aos ignorantes.

Aos que têm a humildade de saber-se aprendiz e se entusiasmam com as oportunidades que o novo traz, recomendo a leitura dos livros de Longo, em especial seu último: “Trilema Digital”.

Quando falamos em inovação, logo vem à nossa mente os últimos gadgets, os trecos que são totemizados por parte do público. Isso é distração, é o penacho da fantasia.

As inovações que estão transformando o mundo são as relacionais: o imperativo do conceito de rede; a falência dos sistemas organizacionais verticalizados; o estilo de liderança – que engaja, inspira e empodera; a preocupação com as consequências sociais e ambientais de nossos atos – inclusive o consumo; o achatamento das estruturas; o trabalho a partir de qualquer lugar; o aprendizado incessante …

“Se alguém não aprender algo a cada 15 ou 20 dias, não significa que não houve problemas a resolver nesse período; significa que houve uma ‘cegueira cognitiva’ no empreendimento, que impediu os envolvidos de fazerem as perguntas que poderiam criar oportunidades de aprendizado para todos.” (Sílvio Meira)

O mundo digital está subsidiando mudanças sociais, em especial no trabalho. É irrefreável. Há uma propensão à emergência de estruturas mais inclusivas e amplas.

Claro que nem todos saberão se inserir nesta realidade e a condenarão. Mas, até os à margem do processo tendem a ser beneficiados.

Esse processo não é centralizado (embora haja muita concentração desse novo poder nas mãos de alguns repositórios, mas isso não será eterno, pois contradiz o princípio subjacente de autonomia).

A velocidade e a disseminação dessas inovações trazem muita insegurança, em função da imprevisibilidade e incerteza, próprias do novo. A vacina está na autoconfiança e na aceitação do erro como essencial à aprendizagem.

“Ser adulto é tomar decisões e não necessariamente acertar.” (Eric Albuquerque)

A tecnologia que suporta esta revolução é, como todas, aética – não é boa ou má. Isso fica a cargo de quem a destine. Então, há muitos riscos envolvidos, como já estamos percebendo.

Esse é o tema do livro citado. Os três dilemas apontados por Longo são: a Exteligência, o Tribalismo e o Compartilhamento.

A exteligência diz respeito ao enorme e crescente conjunto de informações externo ao nosso cérebro, incapaz de – por si – aumentar nossa inteligência. Isso enquanto não soubermos como internalizar (ou embarcar) esse vendaval de informações.

Sílvio Meira vaticina que chegaremos, em poucas gerações, a programar diretamente os cérebros.

Aliás, o sistema educacional precisa ser redirecionado para o estímulo da criação, ao invés da mera transferência de informações. Ou seja, precisamos aprender a integrar essas informações em conhecimentos – e não apenas mantê-los horizontalizados.

Enquanto isso, perdemos o foco em assuntos mais profundos e desenvolvemos a microatenção, a atenção múltipla e esfarelada. É a atenção parcial contínua, como diz Sílvio Meira.

O tribalismo é a reação que a sociedade apresenta enquanto não aprende a aceitar as diferenças. A insegurança e a diversidade têm levado a sociedade a se fragmentar em tribos, convictas de suas certezas. Isso é perigoso porque o dogma é o oposto do conhecimento.

O compartilhamento é uma tendência que se materializa na “economia compartilhada (Sharing Economy)”. Além desse movimento, há o consumo consciente, o questionamento sobre o que e quanto consumimos, o Lowsumerism.

Pessoalmente, sou favorável à economia compartilhada e ao consumo consciente, mas se isso pegar, haverá um choque negativo de demanda. E, nossa economia, movida a consumo, precisará ser reformulada.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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