Celeiro do mundo

Amazônia e desmatamento 2020: quase o dobro de 2019 - Mar Sem Fim

Em 1799, o alemão Alexander von Humboldt iniciou sua viagem de pesquisa pela América Latina.

No início de 1800 ele chegou à Amazônia brasileira. Foi barrado: o governo português receava que o alemão fosse um espião (comunista?).

“Foi encontrado um manuscrito do príncipe regente do Brasil, Dom João, endereçado ao governante da capitania do Ceará. Dom João pediu que se Humboldt tentasse entrar em território brasileiro, medidas rigorosas fossem tomadas para proteger a América Portuguesa”. (Frank Holl)

O naturalista era o mais conhecido cientista de seu tempo, devido às suas descobertas mundo afora: escalou os vulcões mais altos do mundo, cruzou a Sibéria e se aventurou pela Amazônia, além de combater a escravidão dos indígenas. Foi uma inspiração para Darwin.

É tido como um dos primeiros ambientalistas do mundo porque já apontava que o comportamento humano poderia alterar a natureza.

Como ninguém é perfeito, ao ficar deslumbrado diante da vegetação luxuriante da Amazônia, chegou a anunciar que “esse grande vale seria o celeiro do mundo“.

O anúncio de Humboldt é seguido até hoje, com o crescente desmatamento da floresta (e outros biomas).

Sendo justo, Pero Vaz de Caminha, o cronista oficial do descobrimento, já havia registrado para D. Manuel, que “a terra era tão boa, que querendo aproveitá-la, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.”

Não era isso o que gostaria de relatar ao seu amo e senhor. O rei queria saber de minas de ouro, pedras preciosas …

“Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro.” (Caminha)

Não imaginava que havia por aqui a maior reserva de nióbio, o metal redentor do país (!), após a quase exaustão dos metais citados (menos a prata, que pouco ocorre no Brasil).

Daí, apressou-se em elogiar a terra como potencial produtora de “tudo”.

Na verdade, o Pero Vaz de Caminha era, já, um típico brasileiro. Seu objetivo era agradar o poderoso para … pedir-lhe um “favor”.

Cabral chegou por essas bandas em 21 de abril. Caminha só foi à terra no dia 26, para ouvir a primeira missa, que nos abençoou. Sua carta é datada de 1º de maio, dez dias após a “descoberta”. Como ele sabia do potencial agrícola dessas terras?

Parece que Caminha estava mais interessado com os nativos: “A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de encobrir suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto”.

E com as nativas: “… parecem bem moças e bem gentis, com cabelos muito preto e compridos pelas espáduas e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que de muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha”.

Assim, começava nossa sina de produtores de commodities para os centros de poder e importadora de produtos industriais e serviços das potências que investem em tecnologia.

Como presságio do nosso eterno sono, Pero Vaz já trazia caminha no nome.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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