Nosso cérebro é uma fábrica de ilusões

NEUROCIÊNCIA APLICADA A AMBIENTES E CRIAÇÃO | EXTENSÃO E CURSOS LIVRES |  FAAP

“De alguma forma, dentro de nossos cérebros, a atividade combinada de bilhões de neurônios, cada um deles uma minúscula máquina biológica, está dando origem a uma experiência consciente”, diz o neurocientista Anil Seth.

Parece óbvia a afirmação acima. O problema está em definir “experiência consciente”.

Os budistas, muito antes do filme Matrix, vêem afirmando que o mundo, tal como o conhecemos, é uma espécie de “ilusão“. Não necessariamente uma alucinação completa, mas uma imagem seriamente distorcida do que chamamos “realidade“.

Nossa realidade seria formada por “alucinações controladas” por nosso cérebro, diz Anil Seth. Quando descontroladas podem, por exemplo, transformar-se na síndrome de Charles Bonnet (alucinações visuais em idosos, benigna) ou em manifestações malignas, como ocorre na esquizofrenia, reforçava Oliver Sacks.

“… a percepção é uma construção ativa no cérebro e o objetivo da percepção não é criar uma representação verídica e precisa do mundo real, mas, em vez disso, é voltada para ajudar nas perspectivas de sobrevivência de um organismo. Vemos o mundo não como ele é, mas como é útil para nós fazê-lo.” (Anil Seth)

O mundo é percebido conforme nossos parâmetros interiores. Alguns, talvez, em cavernas profundas e inacessíveis em nosso íntimo, diria Leibniz (1646-1716).

Ou, como Jung: “Em cada um de nós há um outro que não conhecemos”.

“A mente consciente não é o centro da ação no cérebro; ela fica numa margem distante, ouvindo apenas sussurros de atividade.” (David Eagleman)

No budismo, o nome desse universo é Maya, que na mitologia indiana significa a força mágica que criou o “Universo ilusório”.

Segundo a psicologia evolucionista, a seleção natural nos “projetou” (por tentativas e muitos erros) para fazermos certas coisas que nos dão prazer – embora sabida e necessariamente efêmeras – para que possamos dar prosseguimento à espécie. São: comer, fazer sexo, ganhar a estima das outras pessoas e superar rivais, basicamente.

Esses prazeres que todos buscamos são efêmeros porque se fossem plenamente saciados, a busca cessaria (e a espécie).

Voltando a Buda. Ele disse que o prazer é efêmero e, sim, isso nos deixa periodicamente insatisfeitos. Por isso, afirmou que a vida é permeada de sofrimento. Alguns estudiosos dizem que a palavra traduzida como “sofrimento” (dukkha) poderia ser entendida como “insatisfação”.

“Em última análise, a felicidade se resume a escolher entre o desconforto de tomar consciência das nossas aflições mentais e o desconforto de ser dominado por elas.” (Yongey Mingyur Rinpoche)

Para mais informações, sugiro os livros:

  • O animal moral – Por que somos como somos: a nova ciência da psicologia evolucionista (Robert Wright)
  • O gene egoísta (Richard Dawkins)
  • Por que o budismo funciona? (Robert Wright)
  • Being You: A New Science of Consciousness (Anil Seth)

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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