O caminho é único

Caminante no hay camino | Antonio Machado Ruiz |
(Antonio Machado Ruiz, 1875-1939)

Provérbios e canções, de Antonio Machado (trechos)

“Nossas horas são minutos

quando esperamos saber,

e séculos quando sabemos

o que se pode aprender.

Caminhante, são teus passos

o caminho e nada mais;

Caminhante, não há caminho

faz-se caminho ao andar

Ao andar se faz caminho

e ao voltar a vista atrás

se vê a estrada que nunca

se voltará a pisar.

Caminhante, não há caminho,

mas trilhas sobre o mar.”

Fazemos o nosso caminho, mesmo errante, mesmo sem consciência dele, mas que é inescusavelmente nosso.

“Nem eu nem ninguém mais pode caminhar esse caminho por você.

Você deve caminhá-lo por si mesmo.

Não está longe, está ao alcance.

Talvez você esteja nele desde que nasceu e não saiba.

Talvez esteja em todas as partes, sobre a água e sobre a terra.” (Walt Whitman)

Os caminhos são campos de potencialidades, aventuras, edificações e ruínas. É necessário que nos arrisquemos; sem isso não há experiências, que vivificam, mesmo que nos joguem na perdição. Essa perdição é libertadora, é nossa conquista. Ou, como Kafka: “chamamos caminhos os nossos titubeios”.

“… todo indivíduo, mesmo o mais restrito à mais banal das vidas, constitui, em si mesmo, um cosmo.

Traz em si suas multiplicidades internas, suas personalidades virtuais, uma infinidade de personagens quiméricos, uma poliexistência no real e no imaginário, o sono e a vigília, a obediência e a transgressão, o ostensivo e o secreto, pululâncias larvares em suas cavernas e grutas insondáveis.

Cada um contém em si galáxias de sonhos e de fantasias, de ímpetos insatisfeitos de desejos e de amores, abismos de infelicidade, vastidões de fria indiferença, ardores de astro em chamas, ímpetos de ódio, débeis anomalias, relâmpagos de lucidez, tempestades furiosas…

… o homem e seu herdeiro permanecerá pascaliano, ou seja, atormentado pelos dois infinitos; kantiano, porque se choca com as antinomias de seu espírito e os limites do mundo dos fenômenos; hegeliano, porque se encontra em perpétuo devir, em contínuas contradições, em busca da totalidade que lhe escapa.”

(Hadj Garum O’rin)

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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