Como nos alimentaremos?

Suplementos alimentares: quando tomá-los é prejudicial à saúde

“Flexitarianos, reducetarianos, climaterianos. Veganismo preto, feminismo vegano.

Carne cultivada, fermentação de precisão, comida ética, clean-meat, plant-based.

A alimentação pede um novo e mais diverso léxico, que se multiplica no ritmo dos estilos de vida, comportamentos, pautas identitárias e profusão de tribos fora e dentro nas redes sociais. Se durante décadas a indústria de alimentos pautou-se na homogeneização para gerar escala com base em três ou quatro espécies, chegou a hora de mudar a estratégia.” (Amália Safatle, julho 2021)

Doutro lado, a inquietude atual tem levado grupos a novidades; buscam substitutos de refeições, alegadamente “nutricionalmente completos”. Parece mais uma tática de life hack, a versão moderna de Sebastiana Quebra-galho. Recorrem a cápsulas, shakes e smoothies. Não há tempo a perder; comida virou mero substrato, um suporte para a vida.

E os suplementos alimentares! Tem de tudo: para idosos, jovens, treinos, bem-estar, massa muscular, multivitamínicos, engordar, emagrecer, regular sistema hormonal … Há quase duzentas alegações de benefícios!

Além dos suplementos vitamínicos, temos L-Carnitina, ômega 3, cafeína, CLA (ácido linoleico conjugado), linolen (óleo de cártamo), whey protein (soro de leite), cálcio, betacaroteno, ferro, zinco, colágeno, coenzima Q10, ácido málico, ácido hialurônico, boro decahidratado, cloreto de magnésio …

Como não são “medicamentos”, não há aprovação por parte da Anvisa, basta o registro e, só para aqueles que contêm enzimas ou probióticos.

Os suplementos não são considerados medicamentos porque são destinados a pessoas saudáveis! Não há necessidade de prescrição, apesar de seu consumo em altas doses causar prejuízos tão graves quanto a sua deficiência.

Esse mercado de suplementos e vitaminas já atinge R$ 3,5 bilhões, no Brasil, segundo a IQVIA. E só cresce.

A ABIAD, a associação que trata dos interesses do setor, divulgou que cresceram os cuidados com a saúde, motivados pela pandemia e a preocupação com o fortalecimento da imunidade e auxílio no metabolismo e na regeneração celular.

Esquecemos que o consumo diversificado, balanceado e consciente de alimentos é praticamente suficiente para garantir a imunidade e a redução da predisposição a diversas doenças. Suplementos deveriam ser consumidos em casos de evidente carência de determinados micronutrientes ou vitaminas.

(Fonte: Ty Beal e Fiaminia Ortenzi; divulgada por Maurício Lopes)

A comida não mais será como a conhecemos ou voltaremos a valorizar a fonte original de vida, os alimentos?

Na filosofia oriental, o alimento é vida e, o consumo deles originados na proximidade preserva a consonância com nossas energias.

É o que prega o zen: viver em harmonia com o mundo; não podemos deixar que o artificialismo de nossa cultura nos afaste da espontaneidade e naturalidade da vida.

Enquanto isso, segundo a FAO, a insegurança alimentar (grave e moderada) no Brasil atinge 49,6 milhões de pessoas.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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