Comunitarismo contra o liberalismo econômico e o marxismo

Ousadia para o bem comum | Viver: Diario de Pernambuco
(Sebastião de Araújo Barreto Campello, 92 anos)

Sebastião Barreto Campello é um engenheiro que desde a juventude trabalha em prol do social, seja no campo ou na cidade.

Há 27 anos, fundou o Pró- Criança – entidade sem fins lucrativos, que visa minimizar as dificuldades vivenciadas pelos jovens carentes da Região Metropolitana do Recife por meio de trabalhos sociais, educação complementar e da oferta de oportunidades de inclusão social.

Na década de 1970, presenciei várias de suas palestras sobre a opção cristã a respeito do sistema social que se alinhava aos preceitos da Igreja Católica. Era a conhecida Doutrina Social da Igreja.

Citando várias encíclicas, apresentava o Comunitarismo como alternativa ao liberalismo econômico e ao comunismo.

Num desses encontros houve um debate – respeitoso – entre os então senadores Franco Montoro e Jarbas Passarinho!

Uma empresa comunitária seria aquela organizada de modo que todos os seus sócios, obrigatoriamente, trabalhariam na mesma e não se admitiria qualquer funcionário que não tivesse participação na sua propriedade, sem distinção entre patrões e empregados.

Difere das Cooperativas, pois estas permitem a contratação de assalariados e terceirizados, além do trabalho dos próprios associados.

Citava como exemplos do espírito comunitário os Kibutz de Israel, e por aqui, a Unilabor (uma fábrica de móveis modernos que funcionou na cidade de São Paulo, entre 1954 e 1967); o próprio Rubens Berta, da Varig, que tinha simpatia com as ideias de cogestão e copropriedade; e, a mais bela e vitoriosa experiência comunitária de todos os tempos: a República Guarani.

A inspiração de Sebastião Campello vinha de suas leituras das encíclicas papais.

A primeira encíclica a tratar do assunto foi a Rerum Novarum, de Leão XIII, publicada em 1891.

Nela se afirma que a remuneração do trabalho não pode ser deixada “à mercê do jogo automático das leis do mercado”, e confirma que ao Estado compete intervir na vida econômica, pois a razão do mesmo existir é a realização do Bem Comum na ordem temporal.

Em 1931, na Quadragésimo Anno, Pio XI diz que “… à liberdade de mercado sucedeu a hegemonia econômica; a sede do lucro, a cobiça desenfreada do predomínio; de modo que toda a economia se tornou horrivelmente dura, inexorável, cruel. (…) a economia está escravizando os poderes públicos aos interesses de grupos e desembocando no imperialismo internacional do dinheiro”.

Até o tão caluniado Pio XII, em 1941, falou numa transmissão radiofônica que: “… o direito de todo homem a usar dos bens materiais para o seu próprio sustento, tem prioridade sobre qualquer outro direito de natureza econômica, mesmo sobre o Direito de Propriedade.”

Esse papa, tido como reacionário, disse ainda: “… o Direito de Propriedade é limitado, pois não pode constituir obstáculo a que seja satisfeita a exigência irrevogável de os bens, criados por Deus para todos os homens, estarem equitativamente à disposição de todos, segundo os princípios de justiça e de caridade …”

Esses pronunciamentos criticam, igualmente, o marxismo e versões: “teorias extremistas, que propunham remédios piores que os próprios males” e, que “a propriedade privada, mesmo dos bens produtivos, é um direito natural que o Estado não pode suprimir”, nas palavras de Leão XIII.

https://wordpress.com/post/balaiocaotico.com/579

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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