O cérebro pode chegar a uma explicação sobre si mesmo?

'Assinaturas' elétricas cerebrais. O paciente à esquerda se encontra num estado vegetativo; do paciente no meio também está num estado vegetativo, mas o seu cérebro aparece como consciente como o cérebro do indivíduo saudável à direita. Crédito: Srivas Chennu
(Imagem:  Srivas Chennu)

A ciência não tem verdades absolutas nem permanentes. Todas as teorias são provisórias. Acho que os cientistas já concordam com isso. A impermanência é a constante.

A ciência parece ser vítima de seus sucessos e de suas limitações.

Thomas Kuhn argumentava que as teorias científicas modernas não são mais verdadeiras do que as teorias que elas desbancaram; são apenas diferentes.

Há exceções, possivelmente na astronomia e, nas teorias sobre a natureza humana, que nunca morrem – apenas entram e saem de moda, diz John Horgan.

Pode a criatura explicar seu criador (qualquer que seja sua forma, estrutura e composição); entendermos Deus?

O cérebro pode chegar a uma explicação sobre si mesmo?

Já fiz essas perguntas de várias formas. Não ter as respostas não nos desanima.

O que mais deve nos interessar, o micro ou o macrocosmo? Mecânica quântica ou relatividade geral? E a pessoa, quando a entenderemos?

“Estou mais interessado em como um homem vive do que em como uma estrela morre, em como uma mulher abre seu caminho no mundo do que em como um cometa risca o céu … O mistério humano, e não a condição do cosmo, é o que me fascina.” Essa é a opinião de Sherwin Nuland, médico.

Muitos dos males sociais continuam sem enfrentamento adequado, assim como doenças neuropsiquiátricas ou comportamentais. A pessoa, justifica-se, é a melhor expressão do que significa Complexidade.

Por isso, Ernst Mayr – biólogo evolucionista – dizia que nenhum campo da biologia conseguiria equiparar-se à física, em termos de precisão e poder, uma vez que, diferentemente das partículas elementares, cada organismo é único.

Apesar do ódio de alguns cientistas, Freud continua de pé, após mais de um século de investigações da psiquiatria, genética, neurociência e campos adjacentes.

Aliás, os sonhos tornaram-se objetos de estudo de neurocientistas, como Sidarta Ribeiro. Ele acredita que o sonho joga estímulos elétricos em nossas memórias e isso nos ajuda a explorar possibilidades, sobre o que pode ou não acontecer!

“As ciências se desenvolveram na ordem inversa à que se poderia esperar.

O que para nós era mais remoto foi trazido primeiro para a o domínio da lei, e depois, gradualmente, o que estava mais próximo: primeiro o céu, em seguida a Terra, e então a vida animal e vegetal, depois o corpo humano e por último (até agora muito imperfeitamente) a mente humana.” (Bertrand Russell)

A consciência, antes domínio exclusivo dos filósofos, também é estudada por neurocientistas e outros cientistas.

Steen Rasmussen é um físico, especialista em sistemas complexos e “vida” artificial. Sua hipótese é que a consciência poderia ser uma propriedade “emergente” – ou seja, imprevisível, irredutível e holística – do comportamento complexo do cérebro.

Karl Pribram era um neurocientista que ficou famoso com sua teoria de que a memória funcionaria de maneira semelhante à holografia. Na holografia, uma imagem tridimensional é gerada pela interferência de dois feixes de laser sobrepostos.

Danah Zohar, física e filósofa, defende que os pensamentos humanos são flutuações quânticas da energia do vácuo, que é, diz, “realmente Deus”.

Christof Koch, neurocientista, e Francis Crick, biólogo molecular, argumentaram que é necessário examinar os neurônios e as interações entre eles para ser ter modelos realmente científicos sobre a consciência. O problema é descobrir qual é o mecanismo que transforma o disparo de neurônios em numerosas regiões do cérebro em uma percepção unificada. Afinal, são cerca de 86 bilhões de neurônios no cérebro humano!

Walter Freeman, neurocientista, criou um modelo mais complexo de perceptividade baseado na teoria do caos.

Roger Penrose, físico e matemático, declarou que os talentos da mente humana só poderão ser explicados por uma teoria física ainda não descoberta que incorpore a mecânica quântica e a teoria da relatividade, a tal teoria do quantum da gravitação, ou teoria de tudo.

Johnjoe McFadden, professor de genética molecular, tenta localizar a sede da consciência no campo eletromagnético do cérebro, o que resolveria, assim, o problema de ligação; ou seja, entender como a informação codificada em bilhões de neurônios distribuídos é unificada em nossa mente consciente.

Há outras teorias. Mas já é possível ver como ainda tateamos este campo.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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