A versão talmúdica da Criação

( Lillith , representação suméria, 2000 a.C.)

Falei no post anterior sobre a formação do monoteísmo judaico, embora se ignore o momento em que Iahweh se tornou o deus de Israel.

A Bíblia ora apresenta esse momento referindo-se ao próprio Abraão, conforme citado em Josué 24, 2 (“Assim diz Iahweh, o Deus de Israel: Além do Rio habitavam outrora os vossos pais, Taré, pai de Abraão e de Nacor, e serviam a outros deuses.”), ora a Moisés (“Eu sou Iahweh. Apareci a Abraão, a Isaac e a Jacó como El Shaddai; mas meu nome, Iahweh, não lhes fiz conhecer.” Êxodo 6, 2).

Max Weber, por exemplo, adota que Iahweh só foi consagrado no tempo em que Israel era um povo nômade, perdido no Sinai; daí a necessidade de um deus “nacionalista”, que unisse e fortalecesse o povo.

“A religião de Israel é acima de tudo a religião do Livro. Esse corpo de escrituras é constituído de textos de idade e orientação diversas, que representam, por certo, tradições orais bastante antigas, mas reinterpretadas, corrigidas redigidas durante vários séculos e em diferentes meios.” (Mircea Eliade)

Mudando um pouco do foco.

O Talmude, a coletânea das discussões rabínicas, tem uma versão da Criação, na qual tenta esclarecer algumas dificuldades entre as duas versões da Criação, descritas no Gênesis (a “cosmogonia”, do capítulo 1 e a “antropogonia”, no segundo):

“… No primeiro dia, Deus fez os céus e a terra, a luz e as trevas, dia e noite. (…)

No segundo dia, Deus criou os anjos; no terceiro dia Ele fez as plantas …

O Senhor criou Gan Eden, o Paraíso onde Adão e Eva viveriam, e onde os justos se deleitam quando morrem.

No quarto dia, o Sol, a Lua e as estrelas foram criadas.

No quinto dia, as criaturas do mar foram feitas, inclusive Leviatã, assim como os pássaros, incluindo o lendário Zinn.

Foi no sexto dia que Deus criou os animais, incluindo o gigante Beemote.

Também foi no sexto dia que Deus fez os seres humanos. Deus também discutiu a criação dos humanos com os anjos, que não tinham muita certeza de que isso era uma boa ideia. Alguns anjos ressentiram-se da ideia de Deus criar outro ser senciente e reclamaram.

Deus, cansado de sua impudência, apontou seu dedo para esses anjos e eles foram consumidos pelo fogo.

Deus então ordenou que o anjo Gabriel trouxesse solo dos quatro cantos do mundo, que seria usado para criar o homem.

Quando Gabriel começou sua tarefa, ele soube que a terra estava relutante em entregar o solo para a criação dos humanos.

A terra sabia que algum dia a humanidade a arruinaria e estragaria sua beleza.

Ao ouvir isso, o próprio Deus recolheu a terra e moldou Adão, o primeiro homem.

Quando Deus criou o corpo do homem, Ele se preparou para reuni-lo à alma, que havia sido criada no primeiro dia.

Os anjos novamente ficaram preocupados com a existência de outra criatura com uma alma.

Entre os mais insatisfeitos desses anjos estava Samael (que significa ‘veneno de Deus’), também chamado de Satã.

Ele disse a Deus: ‘Você criou a nós, os anjos, da sua Chequiná (‘Presença Divina’), e agora você faria cuidar de uma coisa vil feita de terra? Você desperdiçaria uma alma em um pedaço de lama? Você do pó criaria um ser pensante?

Deus cansou-se de ouvir as reclamações incessantes de Samael e de sua arrogância em questioná-Lo. Ele então lançou Samael e seus seguidores no inferno.

Do pó do solo reunido dos quatro cantos da terra, Deus moldou Adão e insuflou em suas narinas o fôlego da vida.

Outros rabinos dizem que Adão viu os animais na terra e notou que todos tinham o sexo masculino e feminino, mas ele não tinha uma fêmea.

Assim, Deus primeiro criou uma mulher chamada Lillith do pó.

Mas Lillith ficou por cima de Adão e recusou a maneira como ele queria fazer amor, com o homem por cima.

‘Por quê?’ reclamou ela. ‘Quem é você para me dominar? Somos ambos feitos de pó!’

Na sua arrogância, ela recitou o nome sagrado e indizível de Deus e desapareceu.

Depois que essa criatura miserável foi viver entre os demônios, Deus sentiu pena de Adão e decidiu fazer para ele uma boa mulher, Eva. (…)

E Adão e Eva viviam em perfeita inocência naquela época.

Mas Samael e Lillith estavam ocupados planejando como fazer mal a essas boas pessoas. (…)”

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: