“… a distinção entre o bem e o mal é a parte mais fácil do exercício moral.” (Amós Oz)

Sayyid Qutb - AdviceForParadise
(Sayyid Qutb, 1906-1966)

Jesus disse: ” Perdoa-lhes, não sabem o que fazem”. Não sabem? Somos moralmente imbecis?

Mas, muitos, acham que ao nos infligir alguma dor o faz pelo nosso bem! Acham que há um ordenamento “superior” que os guia. Ou que obedecem a leis, ordens, autorizações, que os livram do julgamento moral.

São os “moralistas”, os que defendem a moral – sua moral. São fundamentalistas, apegam-se a tradições culturais, patrióticas e, principalmente religiosas. Sua maldade é em nome de algo supremo. São fanáticos – os piores inimigos da humanidade.

Moral é algo que “evolui” com os povos, espelha os valores de cada povo, no tempo e no espaço. Ela é adotada ou negada conforme seja julgada própria (apropriada) ou imprópria. O povo cuida disso. Não há uma moral universal nem eterna. Não a confundamos com ética, associada à intenção do agir.

Um desses “iluminados” era Sayyid Qutb, egípcio, que se tornou um líder da Irmandade Muçulmana.

Criou uma repulsa pela cultura ocidental, em especial pela americana, ao visitar os EUA em 1948. Ficou horrorizado: para ele, as igrejas cristãs eram “centros de entretenimento e praças de recreio sexual”; o jazz, por exemplo, seria a “música que selvagens colonos criaram para satisfazer seus desejos primitivos, o desejo pelo barulho, de um lado, e a abundância de sons animais, de outro.”

Esses e outros casos os levaram a acreditar que seriam sintomas de um mal mais profundo: o progresso, o culto da ciência e do consumo representariam uma regressão bárbara capaz de contaminar a humanidade inteira. E, que nisso não há nenhuma agregação de valor para o “tesouro moral da humanidade”.

Podemos até concordar com o diagnóstico, mas não com a terapêutica. O remédio, segundo Qutb seria a “jihad“. Avaliou que o Islã seria o único antídoto contra a degradação da vida humana.

Jihad significa o esforço interior do fiel para viver de acordo com o exemplo do Profeta e, também, a “guerra santa” contra o infiel que ameaça a comunidade islâmica.

Civilização, pensava, seria um conceito associado à esfera das verdades universais e dos valores morais – leia-se religiosos.

Suas ideias foram amplamente divulgadas no Egito e, depois de sua morte (enforcado por ordem de Gamal Abdel Nasser, em 1966) foram encampadas pela Arábia Saudita, que abrigou seu irmão, Muhammad Qutb.

Entre os que assistiam às palestras de Muhammad estavam Osama Bin Laden e Ayman al-Zawahiri. O primeiro é conhecido (morto em 2011); o segundo foi o fundador da Jihad Islâmica, que depois se fundiu com a Al-Qaeda, de Bin Laden, e atualmente a lidera.

Sayyid Qutb pregava pela instituição de uma sociedade muçulmana igualitária e governada com base na consulta e no consenso – tudo baseado na palavra de Deus.

Os países muçulmanos não gostavam disso, naturalmente.

Só a Arábia Saudita (uma monarquia absolutista), que “protegeu” Muhammad Qutb por conveniência política e o seu arqui-inimigo, o Irã, procuram seguir seus “ensinamentos”.

No Irã, foi o próprio Aiatolá Khomeini quem traduziu sua obra para o farsi (persa) para reforçar a revolução islâmica de 1979.

Na Arábia Saudita a constituição é o Corão, interpretada pelos ulemás.

Este é o sonho: moral, direito e religião unificados.

Vejam só, para Sayyid, a Jihad visa “acabar com a tirania e introduzir a verdadeira liberdade da humanidade…a Jihad deve assegurar a liberdade total para todos os homens em todo o mundo, libertando-os da servidão a outros seres humanos para que ele possa servir a Alá”.

A Arábia Saudita e o Irã são os modelos?

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

Um comentário em ““… a distinção entre o bem e o mal é a parte mais fácil do exercício moral.” (Amós Oz)

  1. Analisando com acuidade o texto e o contexto atual., me parece que são antagônicos unir nos ditos paises e até mesmo entre nós “direito e religião unificados” .
    A Arábia Saudita e o Irã são os modelos? Eis a questão. Não se faz religiao e nem paz com guerra.
    Jamais serão modelos de religião e paz (minha opinião)
    Fazendo um adendo eu pergunto onde há uma religião unificada e a paz no mundo.? Eu não conheço. Mesmo porque a humanidade serve a deuses desconhecidos. Desde a antiguidade especialmente nesses dois países. E o mundo inteiro serve a diversidade de deuses. Enquanto o Mundo não servirvir o Único Deus não achará paz na terra. … a distinção entre o bem e o mal é a parte mais fácil do exercício moral.” (Amós Oz) discordando do autor talvez seja a mais difícil. O homem não tem essa capacidade sem cometer erros gravíssimos. Alguns a história já mostrou outros o tempo mostrará. Ainda bem que a história está aí para registrar fatos. Fico por aqui. O assunto requer laudas e laudas dos experts do assunto.

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