Sobre o bem e o mal

André Dahmer on Twitter: "O bem combate o mal. Via http://t.co/trX4pFE5U9  http://t.co/IaeOIhyaoL"
(Charge de André Dahmer)

“Do bem e do mal
Todos tem seu encanto: os santos e os corruptos.
Não há coisa na vida inteiramente má.
Tu dizes que a verdade produz frutos…
Já viste as flores que a mentira dá?” (Mário Quintana)

“O bem é um mal necessário. Se não existisse o bem, ou a ideia dele, não conheceríamos o mal, portanto o bem é ele próprio um mal, e é necessário (para conhecer o mal): um mal necessário. Q.E.D.” (Fernando Pessoa)

Bom e mau se dizem apenas num sentido relativo, segundo Espinosa:

“Uma coisa considerada isoladamente não é dita ser boa nem má, mas somente em sua relação com uma outra à qual ela é útil ou nociva para a obtenção daquilo que ama.

E dessa maneira qualquer coisa pode ser dita ao mesmo tempo boa ou má sob diferentes relações.

Assim, nas Santas Escrituras o conselho de Aquitofel a Absalão (2 Samuel, 17) é chamado bom, embora fosse muito mau para Davi, pois preparava sua perda.

Muitas outras coisas são ditas boas, embora não o sejam para todos. (…)

Para Deus … é evidente que nele não pode haver absolutamente nada mau.”

Ainda, tudo o que é mau mede-se pela diminuição da potência de agir (tristeza-ódio); tudo o que é bom, pelo aumento dessa mesma potência (alegria-amor).

Espinosa aí, lembra Epicuro, e seria resgatado por Nietzsche.

Segundo ele, tudo o que envolve a tristeza serve à tirania e à opressão e merece ser denunciado como mau, pois nos separa de nossa potência de agir.

Para Platão, o homem, “de acordo com a natureza, solta o freio para todos os desejos; ele acede à moral apenas quando se remete à ideia do Bem, por meio do mundo inteligível que liga a alma humana às essências eternas.”

Para balizar essas questões, adota-se a Regra de Ouro das condutas morais. Ela aparece de uma forma negativa, como em Confúcio (“o que não desejais que vos seja feito, não façais ao outro”) ou de forma positiva, com Mo Tseu (“quem ama o outro será amado por sua vez; quem ajuda o outro será ajudado por sua vez”).

Hillel, o proto-rabino contemporâneo de Herodes, dizia “não faças ao teu próximo o que detestarias que te fosse feito”. No Evangelho temos; “o que gostaríeis que os homens fizessem por vós, fazei igualmente para eles” (Lucas 6, 31), ou “amarás teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22, 39).

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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