A alma do mundo

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(Ralph Abraham, matemático, 85 anos)

Ideias à margem da ciência oficial, porém instigantes.

Um encontro de um matemático (Ralph Abraham), um biólogo (Rupert Sheldrake) e um botânico (Terence McKenna) – com horizontes além do cânone científico.

O matemático é focado na teoria do caos; o biólogo criou a moderna teoria dos campos morfogenéticos; e, o botânico se aventurava na etnofarmacologia (e no xamanismo).

Eis as principais visões dos três:

“Sugiro a existência de uma espécie de memória inerente em cada organismo, a qual chamo de campo morfogenético ou mórfico desse organismo. À medida que o tempo passa, cada tipo de organismo forma um tipo específico de memória coletiva cumulativa. As regularidades da natureza são, por conseguinte, habituais. As coisas são como são porque foram como foram. O universo é um sistema de hábitos em evolução.” (Rupert Sheldrake)

“A chave que abre o que está acontecendo com a história, a criatividade e os processos progressivos de todos os tipos consiste em reconhecer o estado de completude, que se encontra no fim do caminho, como uma espécie de objeto de dimensão superior que projeta uma sombra enorme e vacilante sobre as dimensões inferiores de organização, uma das quais é este universo.” (Terence McKenna)

“Há um outro nível … ao qual chamo de Caos, ou o inconsciente de Gaia. Este não contém a forma, mas é a fonte da forma, a energia da forma, a forma da forma, o material de que é feita a forma.” (Ralph Abraham)

Terence McKenna e a linguagem do cosmos (Parte 2/2)
(Terence McKenna, 1946-2000)

Sobre o caos e aleatoriedade, fala Ralph Abraham: “… falamos sobre modelos matemáticos que são caóticos no sentido de que partilham do significado intuitivo do caos, embora não sejam aleatórios. São os atratores estranhos. Como eles estavam sempre presentes na natureza, passamos a chamá-los só de atratores. Apesar de associados ao caos, esses modelos têm ordem e não são aleatórios.

A questão resume-se em saber se alguma coisa na natureza existe fora do domínio ‘ordenado’ dos atratores.

Acredito que a parcela do assim chamado comportamento ‘aleatório’ – no sentido de nossa ignorância de qualquer estrutura nele presente – entrará em acentuado declínio. Não creio que necessitamos do estado aleatório para ter evolução de formas novas.”

De fato, os estudiosos do caos determinista concluem que o mistério do acaso – aleatoriedade – estaria desvendado: ele seria apenas uma ilusão, ligada à extraordinária variedade dos destinos que com frequência conhecem os sistemas não-lineares.

Mas, o acaso não foi enterrado: a termodinâmica (principalmente na figura do calor) e a mecânica quântica lhe dão futuro brilhante.

Para Roger Penrose, por exemplo, uma futura Teoria de Tudo será uma teoria quântica da gravitação dotada de dois ingredientes essenciais – a imprevisibilidade e a irreversibilidade – ou não será coisa alguma.

Rupert Sheldrake, a seu modo, também discorda da possibilidade de que modelos matemáticos possam decifrar o mundo. A alma do mundo contém tanto qualidades como quantidades, diz. O mundo está cheio de cores, sons, cheiros e de outras qualidades, não matematizáveis.

A ciência desde seu nascimento tem ignorado as qualidades sensoriais e considera tão-somente as qualidades primárias das substâncias, quantificáveis – seu peso, sua posição etc. A realidade, dessa forma, é incolor, insossa, muda e inodora; abstrata, objetiva e matemática.

A alma do mundo contém não apenas tudo o que há no mundo mas também a ‘imaginação” que deu origem a tudo no mundo, imagina ele.

Rupert Sheldrake | Great Mystery
(Rupert Sheldrake, 79 anos)

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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