A gangrena do hospital

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(Médico com máscara N95 da época)

Na Idade Média, os “médicos”, ao lidarem com a peste tinham seus cuidados.

Usavam uma máscara com bico que possuía em seu interior uma composição de perfumes e ervas que o ajudavam a lidar com os miasmas – os ares infectos. Além disso, um casacão, para protegê-los de contaminantes, botas, luvas, uma vara e uma longa colher para impedir contatos com os doentes.

Distanciamento. Não havia álcool em gel.

Os doentes, coitados, não ficavam protegidos dos “médicos” e do ambiente, principalmente os que que fossem submetidos a intervenções cirúrgicas.

“… o homem deitado na mesa de operações em um de nossos hospitais cirúrgicos tem mais chances de morrer do que o soldado inglês tinha no campo de batalha de Waterloo.”(Sir James Young Simpson (1811-1870)

Era a chamada “gangrena do hospital“, hoje com um nome mais nobre: septicemia.

Ela impunha um índice de mortalidade pós-operatória tão grande que autoridades, como as de Nuremberg, Alemanha, chegaram a considerar a demolição do hospital geral. Decisão parecida também foi pensada pelos diretores do Hospital de Lincoln, na Inglaterra.

A situação só começou a ser revertida no século XIX, quando o cirurgião Joseph Lister introduziu a antissepsia nas cirurgias. Todos conhecem a marca Listerine, pelo menos.

Ele observara que o índice de mortalidade entre pacientes com fraturas simples era muito menor do que aquele detectado nos pacientes com fraturas expostas, onde o osso fraturado lacerava a pele e expunha tecidos.

Por fim, Robert Koch (1843-1910) e Alexander Ogston (1844-1929), identificaram que a septicemia de feridas e suturas pós-cirúrgicas era devida à ação de bactérias.

Apesar disso não ser mais um segredo, 7% dos pacientes adquirem uma infecção hospitalar durante seu período de internação em hospitais, segundo a OMS. Em países de baixa renda, este número sobe para 10%.

O fato é que Infecção Hospitalar é a quarta maior causa de mortes no mundo.

Este post é para lembrar que amanhã, 15 de maio é o Dia Nacional de Controle de Infecção Hospitalar, criado para que os profissionais de saúde tomem os cuidados para evitar este mal.

Vejam como são as coisas: um século antes daquelas discussões se transformarem em experimentos e publicações, o cirurgião português Luís Gomes Ferreira, que vivia na Capitania de Minas Gerais e que tinha como profissão o “endireitar de ossos”, não endireitava um osso quebrado e exposto sem ter, à mão, uma garrafa de aguardente.

“Não há remédio mais singular, nem mais pronto, nem que tenha as virtudes que tem a aguardente […]”, dizia Luís Gomes.

A aguardente servia como anestésico e antisséptico.

Por motivos diferentes, um advogado da vila de Cuiabá, José Barbosa de Sá, também dava boas notícias sobre a aguardente: ela era base para numerosas mezinhas.

Ela possuía o poder curativo de diminuir a morte entre os escravos mineradores, que ficavam na lida com as bateias por até 14 horas, com metade do corpo na água dos rios e a outra metade sob o sol causticante do pantanal mato-grossense.

A cachaça os sustentava. Era o melhor kit de tratamento precoce conhecido, então. Embora tivesse seus efeitos colaterais, mas isso não era do interesse das autoridades.


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Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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