Um pouco da Teogonia

(Hesíodo e a Musa, de Gustave Moreau)

A Teogonia, a Genealogia dos Deuses, teria sido escrita por Hesíodo, nos séculos VIII e VII a.C. Talvez fosse contemporâneo de Homero, talvez primos … não se sabe.

É mito, mas revela a necessidade de se conceber o humano com referência direta e indispensável ao divino.

“Ciente de sua precariedade, de sua mortalidade, o homem compreende sua condição sempre à luz da imortalidade dos deuses, de sua força e entendimentos superiores.” (Roberto Bolzani Filho)

Algumas narrativas, começando por Atena, um destaque: era nada menos que a deusa da civilização, da estratégia, das artes, da justiça, da sabedoria … e correlatos.  Não é pouco.

Ora, Zeus havia sido aclamado por seus pares como o “rei dos imortais”. Ele havia destronado seu pai, Cronos, que, por sua vez também destronara seu pai, Céu.

Zeus estava com toda moral. Desposou, então, Astúcia (Métis). Surgiu um problema: Métis era “mais sábia que os deuses e os homens mortais”. Era mulher, óbvio.

“Mas quando Métis ia parir a Deusa dos olhos glaucos, Atena, ele enganou suas entranhas com ardil, com palavras sedutoras e engoliu-a ventre abaixo, por conselhos da Terra (Gaia) e do Céu constelado (Urano) … ” (versos 885 a 890)

Palavras sedutoras … um ponto fraco.

Eles o alertaram que o filho que haveria de nascer de Métis, após Atena, seria mais poderoso que o pai, e Zeus, por conseguinte corria o risco de ser destronado, assim como ele destronara seu próprio pai.

Apesar de ter sido engolida, Métis gerou Atena no ventre de Zeus, e a filha veio à luz pela cabeça do pai. Daí a sabedoria, dirão os machistas.

“Depois, Zeus desposou Têmis luzente que gerou as Horas (estações do ano): Equidade (Eunomia), Justiça (Dike) e a Paz (Irene) viçosa que cuidam dos campos dos perecíveis mortais, e as Partes (Moiras) a quem mais deu honra o sábio Zeus: Fiandeira (Cloto), Distributriz (Láquesis) e Inflexível (Atropos), que atribuem aos homens mortais os haveres de bem e de mal.” (versos 900 a 905)

Moiras, partes ou porções, significavam a participação de cada um na vida ou no destino. Elas controlavam o metafórico fio da vida de cada mortal.

As Moiras ainda nos incomodam; das Horas, só notícias.

E, para estender o alcance do poder de Zeus, “deuses de primeira e segunda geração, principais e primitivos, Terra (Gaia), Céu (Urano), Noite (Nix), Dia (Hemére), Éter (Aithér), Montanhas (Oúrea), Mar (Póntos), Oceano (Okeanós), Trovão (Bronté), Relâmpago (Sterópe), e da Noite virão a ser Morte (Thánatos), Sono (Húpnos), Sonho (Óneiros), Escárnio (Mômos), Miséria (Oizús), Engano (Apáte), Velhice (Gêras), Discórdia (Éris).

Esta pariu Fadiga (Pónos), Esquecimento (Léthe), Fome (Limós), Dor (Álgos), Batalhas (Husmínai), Combates (Mákhai), Massacres (Androktasíai) e Homicídios (Phónoi), Litígios (Neíkos), Mentiras (Pséudea), Falas (Lógoi), Disputas (Amphillogíai), Desordem (Dusnomíe) e Derrota (Áte).” (Roberto Bolzani Filho)

Taí.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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