“… pelo progresso do nosso subdesenvolvimento”

Crescimento à frente - Levante Ideias de Investimentos

Entre 1860 e 1913, os Estados Unidos chocaram alguns países quando superou a Grã-Bretanha, tornando-se a maior economia do mundo.

Naquele período, o crescimento anual americano era de 4% em média. Estranheza, mal estar, mas visto como natural.

Agora, é a vez da China. Ela se tornará a maior economia do mundo até o final desta década, provavelmente. Estranheza, mal estar e algo não aceito como natural – digo, inaceitável para os defensores dos “valores ocidentais”. Esses mesmos valores em nome dos quais se colonizou parte do mundo, inclusive a China, nos estertores da dinastia Qing.

A China deve crescer ao redor de 9% neste ano; os EUA, podem chegar perto de 7%, com a política de Biden. A partir do próximo ano, as expectativas giram em 7 e 3%, respectivamente.

Numa conta de padaria, seguindo a Regra do 72* (divida 72 pela taxa de crescimento – ou de juros – para saber em quanto tempo uma economia – ou investimento – irá dobrar), crescendo-se à razão de 7% ao ano, a China dobrará seu PIB em torno de 10 anos. Os EUA, à média de 3% a.a., levarão 24 anos. Não vou falar do Brasil, um oponente da China.

A China precisa ser estudada, assim como os chineses estudaram Cingapura por décadas. Todo líder chinês, de Deng Xiaoping a Xi Jinping, chamavam Lee Kuan Yew, o fundador de Cingapura, de “mentor”, humildemente. Cingapura era um laboratório de desenvolvimento tanto econômico como político.

Parece que faz muito tempo, mas numa geração uma nação irrelevante saltou para o topo das tabelas de crescimento.

Em 1980, o PIB chinês era inferior a US$ 300 bilhões; em 2019 chegava a US$ 14,3 trilhões.

Em 1980, o comércio exterior chinês totalizava menos de US$ 40 bilhões. Em 2015, já era 4 trilhões.

Desde 2008, a cada dois anos, o aumento no PIB chinês era superior a toda a economia da Índia.

A China será a maior economia do mundo. Ponto. E não parará de crescer depois, possivelmente num ritmo menor. Temos que nos preparar para isso.

No caso do Brasil, que cresce em função das ondas das commodities, sem um projeto de país, sem liderança afirmativa – só dissociativa, desagregadora, familiar num estilo ‘caporegime’ -, devemos aprender algo ou confrontar a realidade?

Como dizia Stanislaw Ponte Preta, “a prosperidade de alguns homens públicos do Brasil é uma prova evidente de que eles vêm lutando pelo progresso do nosso subdesenvolvimento”.

(*) A rigor, deveria ser a “Regra do 69,314718, que é o logaritmo natural de 2. Por facilidade de cálculo, adotou-se 72, por ser mais divisível. Coitado do Luca Pacioli, que deduziu isso, em 1494, antes da ‘invenção” dos logaritmos.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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