O poeta-operário

(Vladimir Maiakóvski, 1893-1930)

ESTRELA (Maiakóvski, 1913)

“Escutai! Se as estrelas se acendem

será porque alguém precisa delas?

Por que alguém as quer lá em cima?

Será que alguém por elas clama,

por essas cuspidelas de pérolas?

Ei-lo aqui, pois, sufocado, ao meio-dia,

no coração dos turbilhões de poeira;

ei-lo, pois, que corre para o bom Deus,

temendo chegar atrasado,

e que lhe beija chorando

a mão fibrosa.

Implora! Precisa absolutamente

duma estrela lá no alto!

Jura! Que não poderia mais suportar

essa tortura de um céu sem estrelas!

Depois vai-se embora,

atormentado, mas bancando o gaiato

e diz a alguém que passa:

‘Muito bem! Assim está melhor agora, não é?

Não tens mais medo, hem?’

Escutai, pois! Se as estrelas se acendem

é porque alguém precisa delas.

É porque, em verdade, é indispensável

que sobre todos os tetos, cada noite,

uma única estrela, pelo menos, se alumie.”

“Nos demais – eu sei, qualquer um o sabe – o coração tem domicílio no peito. Comigo a anatomia ficou louca. Sou todo coração – em todas as partes palpita.” 

“Um misto de conferência, debate e recital, em que Maiakóvski ocupa o centro da cena e aparece num corpo a corpo com seus contendores. Cheio das mais interessantes informações, fatos, furioso clamor, felicidade, indignação … ele era aclamado e desafiado:

– Maiakóvski, suas piadas não atingem meu entendimento. – É que você é uma girafa! – exclama o poeta. – Somente uma girafa pode molhar os pés na segunda-feira e só ficar resfriada no domingo.

– Maiakóvski, você nos toma a todos como idiotas, não? -Bem, bem … – responde Maiakóvski – por que a todos? Por enquanto, só vejo um diante de mim.

Outro abre caminho no palco e acusa Maiakóvski de gigantomania (produção de obras extraordinariamente grandes e supérfluas), advertindo: – Devo lembrar ao camarada Maiakóvski que, conforme diz um velho adágio, já conhecido de Napoleão, “do sublime ao ridículo há apenas um passo …”

Maiakóvski, imediatamente, levantando a perna como um elefante dá um grande passo em direção ao interlocutor e atira-lhe à queima-roupa: – Do sublime ao ridículo apenas um passo! (…)”

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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