O fogo sagrado

(Michael Collins, 1930-2021)

Morreu nesta quarta-feira, 28 de abril, o “astronauta esquecido”, Michael Collins.

Esquecido porque, enquanto seus colegas Neil Armstrong e Buzz Aldrin davam um giro na Lua, ele precisou ficar na garagem.

Por mais de 21 horas, pilotou sozinho o módulo lunar. Perdia contato com Houston sempre que a espaçonave circundava o lado escuro da lua. Um exercício de plena solidão.

“Desde Adão, nenhum humano conheceu tanta solidão quanto Mike Collins”, registrou o diário da missão.

Suas percepções foram alteradas. Seu sentido de tempo, luz e movimento mudou, como resultado de ter visto a nossa frágil e desamparada Terra de grande distância, entregue aos humanos.

“Eu realmente acredito que se os líderes políticos do mundo pudessem ver seu planeta a uma distância de 100.000 milhas, sua perspectiva poderia ser radicalmente alterada.

Aquela fronteira tão importante seria invisível, aquela discussão barulhenta, silenciada.” (Collins)

Eu assisti essa aventura: 20 de julho de 1969. Meu pai também, mas morreu desconfiado de que aquilo era uma montagem. Ora, homens na Lua?! Meu pai era um negacionista avant la lettre. Embora, se fosse vivo hoje, seria um indignado.

Armstrong antecipou-se e foi preparar novas aventuras noutro campo, em 2012. Resta o Aldrin. Não sei se era um requisito, mas os três nasceram em 1930.

Collins participou do projeto Gemini 10 antes da Apollo 11.

Tudo remonta a Robert Goddard, “o pai do voo espacial”. O cara que em 1919 publicou um pequeno livro chamado “Um Método para Alcançar Altitudes Extremas”, onde propunha um foguete capaz de atingir a Lua. Uma vida a ser conhecida por mais pessoas.

(Goddard e o primeiro voo de foguete propelido a combustível líquido, 1926)

“… ao ler a biografia de Michael Collins, recordei-me do meu primeiro encontro com Robert Goddard.

Na varanda de sua residência, em 1929, ouvi Goddard falar de seus foguetes líquidos e sonhos de exploração espacial.” (Charles Lindbergh)

“O Fogo Sagrado”, título do livro autobiográfico de Collins refere-se à subida da Apollo. “Quando a contagem regressiva chega a zero, achamos que o foguete gigantesco vai ser consumido por nuvens explosivas, chamas e estrondo”, diz Lindbergh.

Somos jogados neste mundo para nos lançarmos à vida. Os muros que construímos e o medo que cultivamos a partir do olhar dos outros são nossas principais amarras.

Há quem vença essas barreiras simplesmente por não ver limites por aqui, na Terra. Há o espaço. Há, também, o fato de que o pensamento transpõe tanto a energia como a matéria.

“Somos todos ignorantes. Só que somos ignorantes sobre coisas diferentes”, dizia Will Rogers, comediante, mas falando sério. Essas coisas diferentes podem ser muitas, quase todas. Precisamos não ignorar as que não nos ignoram.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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