Eremitas

(Santo Antão, 251-356)

“… como tristes e, não obstante, sempre alegres; como indigentes e, não obstante, enriquecendo a muitos; como nada tendo, embora tudo possuamos!” (2Cor 6-10)

Antão consagrou-se a uma “forma particular de vida cristã”.

Foi um santo cristão do Egito e um dos pioneiros entre os Padres do Deserto. 

Era filho de lavradores ricos que cultivavam as férteis terras do vale do Nilo; falava a língua copta e recebera uma boa educação cristã. Um dia, enquanto se dirigia à igreja, ia pensando em como os apóstolos tinham deixado todas as coisas, para seguir Jesus.

Ao chegar à igreja, escutou que estavam cantando o evangelho do jovem rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me” (Mt 19, 21)

O jovem Antão acolheu esta palavra de Jesus como se fosse dirigida pessoalmente a ele. Saiu da igreja decidido a fazer aquilo que Jesus lhe pedia.

Iniciou uma vida nova, a “vida ascética”, que consiste em viver só para Deus, esforçando-se por viver sempre na Sua presença, fazendo o bem a todos e evitando o mal.

Distribuiu seus bens e passou a trabalhar para viver e ajudar os mais pobres. Depois, buscou a solidão do deserto. Durante vinte anos, viveu sozinho. Fazia apenas uma refeição por dia e dormia no chão.

Tornou-se conhecido com Santo Antão, o Anacoreta.

No século IV d.C., os desertos do Egito, Palestina, Arábia e Pérsia foram habitados por homens que haviam optado por abandonar as cidades para viverem sozinhos. Eram os primeiros eremitas cristãos.

Para eles, a sociedade pagã, limitada pelos horizontes e perspectivas da vida “neste mundo”, era considerada um naufrágio do qual cada indivíduo por si só deveria nadar para salvar-se – na vida eterna.

Embora Constantino tenha se tornado cristão e liberado o cristianismo, isso não os interessava: um “estado cristão” não lhes fazia sentido. Para eles, a única sociedade cristã era espiritual e extramundana: o Corpo Místico de Cristo.

De certa forma, eram anarquistas: não acreditavam em ser controlados passivamente por um estado decadente. Fugiam do “mundo” porque sentiam que os homens estavam divididos entre aqueles que atingiam o sucesso e impunham seus desejos aos outros e aqueles que tinham de ceder.

Além dos eremitas, havia os “cenobitas“, monges que viviam em comunidades retiradas.

Thomas Merton (1915-1968), um monge trapista do século passado, que pretendia passar seus últimos anos como eremita, levantou algumas conversas e parábolas desses Padres do Deserto. Algumas:

“Um irmão perguntou a um dos anciãos: ‘Como o temor a Deus alcança o íntimo de um homem?’ O ancião respondeu: ‘Se um homem viver com humildade e pobreza, e não julgar o outro, o temor a Deus passa a fazer parte dele.'”

“O abade Pastor disse: ‘Há duas coisas que o monge deve odiar acima de todas, pois, assim, tornar-se-á livre neste mundo.’ Um irmão perguntou: ‘Quais são essas duas coisas?’ O ancião replicou: ‘Uma vida fácil e uma glória vã.'”

“Um dos anciãos disse: ‘Pobreza, tribulação e discrição são os três trabalhos da vida do eremita. Porque está escrito: se estivessem conosco, somente estes três homens, Noé, Jó e Daniel (ver Ez 14), seriam salvos. Noé representa aqueles que não possuem nada; Jó, aqueles que sofrem com tribulações; Daniel, aqueles que discernem o bem do mal. Se essas três qualidades forem encontradas em um homem então Deus o habita.”

“O abade Macário disse: ‘Se, ao desejar corrigir outra pessoa, você sentir raiva, está favorecendo a própria paixão. Não se perca para salvar o outro.'”

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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