Somos colônias

Microbiota Humana - Como funciona a Flora Intestinal

Somos apenas 10% humano.

Para cada célula de nosso corpo existem nove células não humanas que nos colonizam: bactérias, fungos, vírus e arqueias.

Somos mais “eles” do que “nós”: só no intestino abrigamos cerca de 100 trilhões deles! 50 milhões deles só na ponta de um dedo, por exemplo.

Cerca de 4 mil espécies diferentes criam seus próprios nichos no 1,5 metro de nosso cólon.

Mas, a princípio não devemos ficar aflitos. Esses trilhões de bichinhos não poderiam ter transformado nosso corpo em lar se não tivessem trazido alguma contribuição para nossa vida. Se nosso sistema imunológico combate os germes e nos cura de infecções, por que deixou que fôssemos invadidos desse jeito?

Devemos nos preocupar se eles não forem bem tratados – o desequilíbrio desses inquilinos trará problemas para o locador.

A zoóloga e bióloga evolucionista Alanna Collen, de quem extraí as informações acima, conta ter sido atacada por carrapatos numa Reserva de Vida Selvagem na Malásia e que, anos depois, uma infecção a levou a um tratamento intenso à base de antibióticos.

Os antibióticos “curaram” a infecção; mataram as bactérias que a atacavam, mas também as amigas, de sua microbiota. Passou a ficar doente permanentemente.

Esclarecendo: microbiota é o conjunto desses microrganismos que nos habitam; microbioma é o genoma coletivo de nossa microbiota.

Lembrando um pouco de genética básica:

O conteúdo do genoma humano é comumente dividido entre sequências codificantes de DNA e sequências não-codificantes de DNA.

DNA codificante é composto pelas sequências que podem ser transcritas e traduzidas em proteínas durante o ciclo de vida humano; também chamado de gene.

Existem cerca de 20.000 genes codificadores de proteínas humanas, e estas sequências codificadoras representam uma fração muito pequena do genoma – aproximadamente 1,5%. 

Os genes são a unidade básica da hereditariedade, ou seja, são transmitidos dos pais para os filhos.

DNA não-codificante é constituído por todas sequências (cerca de 98% do genoma) que não são utilizadas para codificar proteínas, que atuam na regulação do DNA ou são sequências em que a função ainda não foi descoberta.

… sequências em que a função ainda não foi descoberta” ! Devem servir para alguma coisa; não devem só encher linguiça.

O Projeto Genoma Humano gerou expectativas exageradas. Poderíamos chegar a uma medicina personalizada de acordo com as características de cada indivíduo e prevenir doenças de natureza genética.

Estamos longe disso, embora algo já se tenha avançado. O que está ao nosso alcance é identificar variações específicas em determinados genes associadas a aumentos significativos de risco.

Cada um de nossos genomas contém milhares de variações genéticas. Há o papel a ser descoberto dos DNA não-codificantes de proteínas; o fato de mais de 50% dos genes produzirem mais de uma proteína; os efeitos epigenéticos e a relação de nosso microbioma com nosso organismo etc.

Algumas doenças foram associadas a dezenas ou centenas de variantes de genes!

O microbioma que carregamos, queiramos ou não, controlam nosso corpo e tornam possível que sejamos saudáveis – se eles tiverem a diversidade necessária.

Perturbações no seu ambiente – nosso corpo – podem trazer distúrbios gastrointestinais, alergias, doenças autoimunes, obesidade, processos infecciosos – que podem levar a cânceres, entre outras. Inclusive, pode afetar a saúde mental: ansiedade, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, autismo …

Muitas de nossas doenças não são devidas a nossos genes, em si. Podem ter origem epigenética ou na desordem de nossa microbiota.

“Nossos cerca de 20 mil genes não controlam nosso corpo sozinhos.

Não estamos sós.

Cada pessoa é um superorganismo, uma coletividade de espécies vivendo lado a lado, em cooperação, para controlar o corpo que nos sustenta. (…)

Esses microrganismos vivendo no corpo humano somam 4,4 milhões de genes!” (Alanna Collen)

“Somos um superorganismo”! E a nossa visão antropocêntrica?

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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