Epigenética

Nossos hábitos de vida podem influenciar nosso DNA.

Mas, as cerca de 50 trilhões de células que nos compõem, com seus genes, não controlariam nossa vida? Não há um determinismo genético? A vida das células não teria de ter um propósito? O DNA não deveria controlar a vida biológica, já que nossas características são as herdadas?

Gêmeos idênticos (com a mesma informação genética – clones naturais) apresentam características diferentes um do outro. Como pode?

Há um caso famoso. Dois gêmeos idênticos tinham uma doença congênita, a síndrome de Kallmann, um distúrbio do desenvolvimento sexual, mas também do olfato. Um deles manifestou todo o quadro: seus órgãos genitais ficaram atrofiados, além de não ter sensibilidade olfativa. O outro não teve problemas com a genitália.

Gêmeos geneticamente idênticos estão longe de ser iguais. Por isso, tecnicamente, não se fala mais de “gêmeos idênticos“; agora são “gêmeos monozigóticos“. Vincula-se à origem, não aos efeitos.

As discrepâncias entre eles às vezes são resultado de processos bioquímicos de caráter aleatório. Podem ocorrer mutações que alteram a sequência do DNA.

É disso que trata a Epigenética: não de mutações, mas de alterações persistentes do DNA.

O gene em estado puro é constituído pelo DNA na forma da famosa dupla-hélice. Em nossas células, porém, são raros os genes em estado puro. Eles se apresentam envolvidos por diversas outras moléculas orgânicas, ligadas quimicamente. Esses revestimentos têm a capacidade de alterar o “comportamento” dos genes aos quais estão ligados, tornando-os mais ou menos ativos.

A epigenética é o estudo de como são feitas e desfeitas essas ligações químicas de longa duração reguladoras dos genes.

Essas mudanças podem acontecer em resposta ao ambiente, à alimentação, aos poluentes e, até, às interações sociais. Os processos epigenéticos ocorrem na interação entre ambiente e genes.

Isso explica porque alguns – mesmo gêmeos – são mais suscetíveis à doença de Alzheimer, lúpus ou câncer, entre outras moléstias, por exemplo.

Sobre o câncer, uma das doenças mais estudadas do ponto de vista da epigenética, sabe-se que não é causado por nenhuma mutação específica (como se pensava), mas por uma “desmetilação” global, quando muitos genes perdem seus grupos metila normais. Uma alteração epigenética.

A boa notícia é que alterações epigenéticas são reversíveis.

(https://agencia.fapesp.br/cientistas-desvendam-mecanismo-epigenetico-que-mantem-viva-celula-de-cancer/15600/)

“A interação entre meio ambiente e genética é chamada de plasticidade fenotípica, um mecanismo pelo qual espécies podem se adaptar rapidamente em resposta a mudanças das condições ambientais.

As modificações que permitem que a plasticidade fenotípica ocorra não constituem uma mudança na sequência genética, não são mutações, mas mudanças epigenéticas.

Ou seja, o gene herdado pelos pais está ali, mas pode expressar-se ou não dependendo do que comemos no dia-a-dia, da forma como vivemos, se fumamos ou não, do nosso nível de estresse e nível de atividade física.” (Andreia Torres, Nutricionista)

Acredito – mas não sou pesquisador – que nosso microbioma tem uma relação íntima com os processos epigenéticos.

Segundo Richard Francis, a visão ainda tradicional é a que os genes atuam como executivos dirigindo o curso de nosso desenvolvimento. Mas, cresce a visão alternativa de que a função executiva fica a cargo da célula e os genes funcionam mais como recursos à disposição dela.

“… percebi que a vida de uma célula é controlada pelo ambiente físico e energético em que ela se encontra e não pelos genes.

Os genes são meros modelos moleculares utilizados na construção das células, dos tecidos e órgãos.

O ambiente funciona como uma espécie de ‘empreiteiro’, que interpreta e monta as estruturas e é responsável pelas características da vida das células.

Mas é a ‘consciência’ celular que controla os mecanismos da vida, e não os genes.” (Bruce Lipton)

As ideias de Lamarck, do início do século XIX (sua teoria dos caracteres adquiridos) foram desacreditadas. Hoje, entretanto, a epigenética tem mostrado que ele não estava totalmente equivocado, ao trazerem à tona perspectivas que nos auxiliam a entender a relação entre determinadas características e o ambiente no qual o indivíduo se encontra, concluindo que há forte associação entre eles.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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