Obviedades

Desigualdade Econômica – VALENTIN FERREIRA

A democracia não é garantia de baixa desigualdade. Depende da força de seus atores. Ela é facilmente e comumente dominada pelos poderosos, políticos e seus financiadores.

Temos uma democracia dos 1%, para os 1% e pelos 1%.

Da mesma forma, também os regimes autoritários – mesmo os de fachada socialista. Óbvio.

Na democracia, pelo menos, temos a pálida figura do cidadão, que pode arregimentar forças que invertam a tendência da crescente desigualdade.

A desigualdade não é destino, é resultante da onipresente participação dos oligarcas e alheamento da maioria da população nos processos políticos – não só nas eleições.

A ação política poderia criar uma sociedade muito menos desigual.

O sistema representativo tende a ser uma farsa. Nossos representantes são oportunistas – quase todos. Seus projetos e votos são permeáveis a interesses desconectados com os de sua base eleitoral. Óbvio, também.

Há de se dar razão a Marx, que descrevia os estados capitalistas como “fingindo neutralidade para manter a ordem, mas servindo aos interesses dos ricos”.

Paul Krugman diz que na sua geração (Baby Boomer), gerentes de nível médio e operários bem pagos eram mais ou menos iguais em termos financeiros, e, CEOs de grandes empresas recebiam cerca de 20 vezes mais do que o trabalhador médio, em comparação com mais de 200 para 1 hoje.

Era uma sociedade em que os extremos de riqueza e pobreza pareciam ter desaparecido. Era uma grande sociedade de classe média.

Segundo Claudia Goldin e Robert Margo, houve uma grande compressão durante a II Guerra: a América foi para a cama em 1939, no restinho da Gilded Age (Era Dourada, época de grandes disparidades) e acordou em 1945 como uma nação de classe média.

Isso foi fruto de políticas públicas (políticas salariais favorecendo os menores salários, sindicatos fortes …) ao longo de apenas alguns anos na década de 1940.

Joseph Stiglitz se pergunta: “por que nosso sistema econômico falha com tantas pessoas?”

“Temos o fracasso em lidar com a transição de economia manufatureira para economia de serviços, em domesticar o setor financeiro, em gerenciar adequadamente a globalização e suas consequências e, mais importante, em responder à crescente desigualdade …” (Stiglitz)

As razões, simplificadamente, são a financeirização excessiva, a globalização sem controles nacionais e o fulgurante poder de mercado. Essas correntes fazem o que querem, usando os mecanismos “democráticos”.

Como diz Stiglitz, o foco está mais na “extração” do que na “criação” de riqueza. Extração, no sentido de se tomar riqueza dos outros através de várias formas de exploração.

É óbvio que há formas de correção de rumos. Mas, obviedade não move nada.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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