Cosima

Wagner, Eva - Signature on Photo of Cosima Wagner 1937 | The woman in  black, Iconic women, Wagner
(Cosima Francesca Gaetana Wagner, 1837-1930)

Cosima Wagner morreu aos 93 anos de idade. Ao sentar, nunca se apoiava no espaldar de uma cadeira. Fora educada para sentar-se direito: aquilo que causa dor faz bem, aprendeu.

Seus pais não eram casados. Só aos nove anos pôde ter um sobrenome, quando seu pai resolveu reconhecê-la: Franz Liszt.

Fruto dos amores adúlteros de Liszt e Marie de Flavigny, condessa d’Agoult.

Sua mãe era bela e altiva; abandonou marido e filha e fugiu para a Suíça para viver sua paixão por Liszt, já um pianista famoso. Ele tinha 20 anos; ela, 26.

Cosima teve uma irmã e um irmãos. Todos foram entregues, ainda muito pequenos, aos cuidados de amas-de-leite.

A paixão dos pais logo esfriou e tornou tempestuosa a relação entre eles, como é comum.

Liszt continuava sendo assediado por um séquito de admiradoras que lhe beijavam as mãos, no mínimo, e a Marie morria de ciúmes. Era um pop star do século XIX.

Ele corria o mundo (a Europa) dando concertos concorridíssimos. Viajava numa carruagem que podia se transformar num quarto de dormir, sempre servido por um criado e um profissional para barbeá-lo e dar o nó em uma de suas trezentas e sessenta gravatas!

Separaram-se. Liszt recuperou os filhos; depois, a luta pela guarda. As crianças, atormentadas. Liszt os adorava; Marie queria tomá-los apenas por vingança. Na prática, foram criados sem pai nem mãe, sob os cuidados de professores.

Assim foi a infância de Cosima.

Liszt acabou caindo sob o domínio de uma mulher terrível, uma princesa polonesa – que também era casada e largou tudo para juntar-se a ele. Uma fanática religiosa e, fumava um charuto atrás de outro. Trouxe as meninas para seus cuidados, aliás, de uma governanta – com sua palmatória. Educação rígida, em todos os sentidos.

A governanta ensinou-lhes história, literatura, alemão, inglês e … boas maneiras.

“Se forem magoadas, nunca o demonstrem. Vocês devem ser fortes – as lágrimas são água inútil. Devem rezar, mas não sejam humildes. Deus gosta dos altivos”, ensinava.

Cosima cresceu; não era bonita como a irmã, mas era muito inteligente e tinha um “físico interessante”. Seu apelido era ‘cegonha’, por ser alta e magra.

Quando completou 15 anos recebeu uma boa notícia: seu pai tinha voltado a Paris. Ia finalmente revê-lo. Liszt ofereceu um jantar para convidados especiais: Berlioz, Jules Janin … e seu amigo especial, Richard Wagner.

Wagner tinha, então, 40 anos. Vivia dificuldades financeiras e era socorrido por Liszt.

Wagner também tinha a mania de roubar (tomar emprestado) a mulher dos outros.

Após Marie tentar trazer os filhos para sua esfera, oferecendo um dote de cem mil francos para cada, Liszt resolveu levá-los para Berlim, sob os cuidados da baronesa von Bülow.

O filho da baronesa, Hans von Bülow, apaixonou-se por Cosima. Casaram-se, apesar das reticências de Liszt e da oposição de Marie. Ele, entretanto, era um maestro em processo de consagração.

Bülow era esquisito: sutil, criado à moda prussiana, lunático, de saúde frágil, humor mutável, cheio de enxaquecas e com ataques de neurastenia … “Ele tem sal nos olhos”, dizia Brahms.

Passaram a lua-de-mel na casa de Wagner; vejam só.

Wagner morava em Zurique, exilado. Ironicamente, havia participado em 1849 de agitações em Dresden, durante as jornadas revolucionárias, em nome de um ideal anarquista – ao lado de Bakunin!

No ano seguinte, estavam novamente na casa de Wagner, passando as férias.

Wagner estava compondo “Tristão e Isolda”, inspirado no mote do romantismo: “Quem contemplou com seus próprios olhos a beleza já se acha condenado à morte”.

O casamento com Hans desandava. Ela queria admirá-lo, mas só conseguir ter pena dele. Ter pena do cônjuge não edifica.

Tornou-se amante de Wagner em 1863; ele era 24 anos mais velho:

“Olhamo-nos nos olhos um do outro, e um violento desejo de confessar a verdade e reconhecer o infortúnio que nos oprimia apoderou-se de nós. Tomados pelas lágrimas e os soluços, selamos o compromisso de pertencermos exclusivamente um ao outro”, escreveu Wagner.

Ela só viria a separar-se de Hans em 1867.

De fato, ela dedicou-se integralmente a Wagner, até sua morte em 1883. Depois, continuaria seu compromisso na preservação de sua obra. Ele, era Wagner: continuou mulherengo.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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