Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora

(A descoberta da Conspiração da Pólvora, por Henry Perronet Briggs )

“Nesta última noite, a Câmara Superior do Parlamento foi inspecionada por Sir Thomas Knevett, e ali foi capturado um certo Johnson (Guy Fawkes), empregado do Sr. Thomas Percy, que pusera 36 barris de pólvora na galeria arqueada debaixo da Câmara com o propósito de explodir o rei e toda a comitiva, quando ali estivessem reunidos. Depois, descobriu-se que vários outros cavalheiros faziam parte da conspiração.” (Diário da Câmara dos Comuns, 5 de novembro de 1605)

Naquela data aconteceria um dos primeiros atos terroristas de que se tem notícia.

Assim, os católicos dariam um basta ao descumprimento do que havia sido acordado com o rei Jaime VI.

Jaime VI era filho de Maria Stuart, rainha da Escócia, e assumiu o trono inglês em 1603 (como Jaime I) após a crise instaurada com a morte de Elizabeth I.

Tinha a missão de unificar o reino, e manteve a política de Elizabeth I, com o protestantismo como religião nacional.

Os calvinistas puritanos, entretanto, condenavam a submissão da Igreja ao Estado.

E os católicos, por sua vez, cobravam a promessa de tolerância feita pelo rei. Este, ao contrário, condenou a fé católica à clandestinidade e os padres eram perseguidos.

A insatisfação levou a uma conspiração: 13 nobres católicos, liderados por Robert Catesby, explodiriam o Parlamento inglês quando a família real estivesse presente. A ideia era resguardar a filha mais jovem do rei, educá-la como católica e elevar o catolicismo a religião oficial.

Mas, vazou. Os idealizadores foram presos e condenados à execução em praça pública.

Vazou porque os conspiradores não queriam que outros católicos estivessem presentes no momento da explosão.

Duas semanas antes do planejado, uma carta anônima chegou às mãos do lord Monteagle:

“Meu Senhor, pelo amor que tenho por alguns de vossos amigos, importa-me a vossa preservação.

Por isso, eu vos aconselharia, como zelais por vossa vida, a inventardes alguma desculpa para evitar vossa presença nesse Parlamento; pois Deus e o homem concordaram em punir a perversidade desse tempo. (…)”

Guy Fawkes, a pessoa responsável por guardar os barris de pólvora, foi preso na manhã do dia 5; torturado e interrogado, confessou sua participação na conspiração. Em 31 de janeiro, Guy foi enforcado e em seguida mutilado.

Ficou famoso a partir da história em quadrinhos “V de Vingança”, Alan Moore e David Lloyd e, depois, pelo filme de 2005.

Fawkes é ironicamente reconhecido como “o único homem que entrou no parlamento com intenções honestas“.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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