Sobre milagres

Cartas de Voltaire expõem suas influências inglesas | Exame
(Voltaire)

Milagre é o que nos deixa “maravilhados”. Desejar e conseguir uma cura para doenças é um milagre? Pode ser, se for algo com poucas possibilidades.

Tudo o que nos surpreende – pela superação de dificuldades, baixa probabilidade, fatos inusitados, mudanças no limite – poderia ser visto como miraculoso, a rigor.

Neste sentido, o Brasil precisa de milagres.

Entretanto, há certos “milagres” que são convenientes a algumas instituições religiosas, ajudando-as a angariar simpatia e dinheiro. É minha opinião. Respeito quem pense diferentemente.

“Eu não acredito no credo professado pela igreja judaica, pela igreja romana, pela igreja turca, pela igreja protestante, nem por nenhuma igreja que conheço.

Meu espírito é a minha igreja.

Todas as instituições eclesiásticas nacionais, quer sejam judaicas, cristãs ou turcas, não me parecem outra coisa senão invenções humanas, criadas para aterrorizar e escravizar a humanidade e monopolizar poder e vantagem.” (Thomas Paine, 1737-1809)

O filósofo Pierre Bayle (1647-1706), achava que “Deus age por leis gerais e que não envia mensagens miraculosas para tornar Ele e Sua vontade conhecidas. Especificamente, Deus não envia cometas, por exemplo, para converter ateístas. Se ateístas fossem convertidos por um cometa, eles não se tornariam bons cristãos, mas idólatras – e Deus dificilmente iria tentar transformar a descrença no crime de idolatria.”

Dizia que o combate ao ateísmo se dava por preconceito: o ateu, sem o medo de punição após a morte, teria uma vida viciosa de sensualidade não controlada. Mas, de fato, a experiência demonstra que a crença em Deus não faz algo para controlar os desejos viciosos. 

Voltaire (1694-1778) satirizava a crença em milagres:

“Um milagre, segundo a energia da palavra, é uma coisa admirável; assim sendo, tudo é milagre.

A ordem prodigiosa da natureza, a rotação de cem milhões de globos ao redor de um milhão de sóis, a atividade da luz, a vida dos animais, são milagres perpétuos.

Vulgarmente, chamamos milagre a violação dessas leis divinas e eternas.

Ou seja, um milagre é uma contradição nos termos: uma lei não pode ser ao mesmo tempo imutável e violada.

Não faz sentido que Deus tenha feito leis para violá-las.

Além disso, Deus nada pode fazer sem razão; ora, que razão o levaria a desfigurar por algum tempo sua própria obra?”

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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