Incompetência e sofrimento do povo

(Boris Iéltsin, 1931-2007)

Boris Nicoláievitch Iéltsin era, em 1990, a grande esperança russa após o início do colapso da URSS.

Tornara-se famoso e popular devido ao seu discurso anticorrupção.

Mas, decepcionou como governante: suas reformas afundaram a Rússia no caos – econômico e social. Um desastre para um povo que, por gerações, aprendera a se orgulhar, nem sempre com sérias razões.

As reformas – necessárias para se apagar um tenebroso e fracassado modelo comunista – incompetentemente conduzidas, levaram ao poder uma nova “nomenklatura“, patrocinada por novos oligarcas que foram beneficiados num esquema de corrupção generalizada.

Um “genocídio econômico”, diziam os opositores.

Apesar do seu discurso liberal, deu um golpe em 1993, dissolvendo o parlamento. Como o povo apoiou o parlamento, Iéltsin se impacientou e ordenou a invasão e explosão da sede do Soviete Supremo, prendendo os líderes da oposição. Quase duzentas pessoas morreram.

Com a perda crescente de popularidade, aprofunda sua amizade com o álcool. Apesar disso, talvez por isso, permaneceu oito anos no inebriante poder.

Em 31 de dezembro de 1999, comemorava-se o fim do século XX e o início de um novo milênio (não importa que de fato isso ocorreria no final de 2000).

Iéltsin encheu a cara e, cansado de sua incompetência, anunciou sua renúncia.

Sua permanência era insustentável – um processo de impeachment já havia sido iniciado três vezes contra ele – mas, o tom resignado, humilde, traduzido num pedido de desculpas, emocionou a todos.

“Quero lhes pedir desculpas, porque muitos dos meus e dos seus sonhos não se realizaram.

E o que parecia simples acabou sendo dolorosamente difícil.

Peço desculpas por não ter tornado realidade algumas das esperanças dos que acreditavam que nós, em uma arrancada, de uma só vez, poderíamos pular de um passado totalitário, cinzento e estagnado, para um futuro brilhante, rico e civilizado.

Eu próprio acreditei nisso. Parecia que, com uma arrancada superaríamos tudo.

Com uma arrancada não deu certo”.

Ao renunciar, entregou o poder ao seu primeiro-ministro, Vladimir Putin – que sabe manter-se no poder: um modelo para alguns presidentes, como Trump e admiradores.

“Trump pode se ver como um Putin americano, mas Putin provavelmente vê Trump como um Boris Yeltsin americano – debatendo-se nas complexidades que o cercam”, dizia o escritor Jelani Cobb.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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