Nano

A nanotecnologia está conseguindo atrair conhecimentos estanques numa convergência (holística?) entre as várias especialidades: eletrônica, computação, física, matemática, química, materiais, engenharias, biologia, agricultura, medicina …

É a nanociência. Muita coisa dela se espera.

Esclarecendo: nano diz respeito à natureza na sua dimensão invisível diretamente. Refere-se a coisas expressas em bilionésimos de metro:

Nano = uma parte de um bilhão
1 nanômetro (1nm) = bilionésimo de um metro
1 metro = 1 bilhão de nanômetros

Essa escala se situa entre a microscópica e a atômica.

As moléculas de DNA, por exemplo, variam de 1 a 2 nm de diâmetro.

O termo nanotecnologia foi cunhado em 1974 pelo cientista japonês Norio Taniguchi para descrever processos de semicondutores envolvendo engenharia em nanoescala.

A partir de um livro de Eric Drexler (Engines of Creation), publicado em 1986, o assunto passou a ser popular. Ele previa, a partir do desenvolvimento da nanotecnologia, enormes implicações para o meio ambiente, economia e medicina. Tornou-se conhecido como o “pai da nanotecnologia”.

O que, na prática, levou a nanotecnologia da teoria para a realidade foi o desenvolvimento do microscópio de tunelamento por varredura (STMscanning tunneling microscope).

A todo momento vemos novas aplicações da nanotecnologia: filtros, protetores solares, revestimentos têxteis, embalagens com ação bactericida, células de energia fotovoltaicas etc.

Na medicina, especialmente na quimioterapia do câncer, desenvolvem-se sistemas que direcionam tratamento diretamente à célula de destino, o que poderá reduzir a baixos níveis os efeitos colaterais desses tratamentos. Há um grupo de cientistas brasileiros da Unicamp envolvido nessas pesquisas.

É destacável a relevância de Israel nesse campo. Existem milhares de programas de pesquisa entre universidades israelenses e empresas locais ou internacionais em aplicações nos âmbitos industrial, infraestrutura e tecnologia da informação.

“… estamos vendo a nanotecnologia erguer uma série de indústrias. Acontece que os produtos têm a mesma aparência exterior, por isso, as pessoas não percebem o que está acontecendo lá dentro deles.” (Dan Vilenski)

Pode a nanotecnologia nos ajudar no entendimento dos processos da vida?

Essa é uma expectativa de Sonia Contera, física especializada em biologia e nanotecnologia:

“Alguns de nós estavam interessados ​​em saber por que o Universo criou a vida usando moléculas parecidas com cordas alongadas (polímeros) capazes de se dobrar em uma miríade de nanoformas (proteínas) que se agrupam em todos os organismos vivos que existem na Terra.

As ferramentas da nanotecnologia nos permitiram, pela primeira vez, investigar, em nível molecular, os mecanismos físicos que tornam a vida possível. Especificamente, poderíamos explorar como a maravilhosa complexidade da biologia é sustentada pelo comportamento dinâmico dessas nanomáquinas biológicas que chamamos de proteínas.

A principal dificuldade encontrada pelos cientistas é sua visão reducionista; a tentativa de buscar soluções simples para problemas complexos.

“Os cientistas viam os organismos vivos como computadores bioquímicos executando um programa molecular.

E eles viam esse programa como um algoritmo codificado em genes e materializado por proteínas.

Dentro dessa estrutura, os pesquisadores médicos se concentraram em identificar os genes e proteínas nocivos que causavam doenças e em encontrar medicamentos para desativá-los.

O problema com essa abordagem reducionista é que ela não considera como células biológicas, órgãos, tumores e organismos se enredam com seu ambiente, combinando-se e recombinando-se, e usando coletivamente suas estruturas em todas as escalas (do nanômetro ao metro e além) para continuar vivendo, evoluindo e sobrevivendo.” (Sonia Contera)

Há, portanto, um longo caminho a ser trilhado. Os organismos biológicos desenvolvem resistência a novos tratamentos.

“A resistência aos antibióticos é agora identificada como uma das maiores ameaças à saúde pública; enquanto isso, a capacidade das células cancerosas de construir defesas contra a quimioterapia paralisou os farmacologistas em busca da cura do câncer. Bactérias e cânceres estão nos ensinando a mesma lição que aprendemos em outros aspectos de nosso relacionamento com a natureza: a vida resiste a abordagens reducionistas e se recupera com comportamentos complexos que frustram nossas estratégias otimistas de dominá-la”, completa Sonia Contera.

A nanotecnologia pode ajudar numa nova abordagem, ao permitir questionamentos sobre os modelos reducionistas de vida e doença.

O artigo abaixo – do qual extraí excertos – desenvolve essas ideias.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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