O Papa Sorriso

João Paulo I: termina fase diocesana da causa de beatificação
(Albino Luciani, papa João Paulo I)

Ao cair da noite de 28 de setembro de 1978, Albino Luciani considerava que dera os primeiros passos para a realização de seu sonho extraordinário.

Às 9h30 da noite fechou a porta de seu quarto e o sonho acabou.

Ele estava há 33 dias no trono papal, como João Paulo I.

O Vaticano apressou-se em divulgar a causa da morte: “infarto do miocárdio”. O “papa Sorriso” morrera do coração! Não houve necropsia.

Tudo indica que ele foi martirizado por suas convicções e ações. A “Solução Italiana” deve ter sido aplicada.

Qual era o sonho do pontífice? Acabar com a cadeia de corrupção – em alta escala – existente no Vaticano. Essa cadeia ligava (?) figuras de proa nos círculos financeiros, políticos, clericais e do crime numa conspiração de âmbito mundial.

Albino Luciani, apesar de sorridente, humilde e cortês, era um feroz inimigo da corrupção. Não teve tempo para colocar em ordem a casa que chefiava.

Havia ordenado uma investigação no Banco do Vaticano, e especificamente nos métodos empregados pelo seu presidente, o bispo Paul Marcinkus. Focaria, principalmente, na lavagem do dinheiro da Máfia, feita pelo banco.

Pretendia remover vários poderosos do Vaticano – e discutiu esse assunto com o seu Secretário de Estado, o cardeal Jean Villot, que estava na lista. Essa discussão ocorreu na última noite de sua vida. Antes do ‘coração falhar’.

Havia, ainda, outra lista, com nomes de clérigos dentro do Vaticano que pertenciam à Maçonaria. Isto era proibido.

Curiosamente, em novembro de 1983 – sob João Paulo II – surgiu uma nova lei canônica que acabava com excomunhão automática para os maçons.

Luciani sabia que um ramo da Maçonaria, chamado P2, havia penetrado no Vaticano, envolvendo padres, bispos e cardeais. O objetivo da P2 era acumular riqueza e poder.

O homem que comandava a P2 era Licio Gelli, o “Titereiro”, que através dessa loja controlava a Itália.

Anos depois, em 1982, Roberto Calvi, chamado pela imprensa como “Banqueiro de Deus” por causa de sua estreita associação com a Santa Sé, foi encontrado “enforcado” em Londres.

Calvi era o presidente do Banco Ambrosiano, que faliu em um dos maiores escândalos políticos da Itália, deixando um rombo de um bilhão e 300 milhões – de dólares.

Em 1998, os restos do banqueiro foram exumados para uma nova perícia. Conclusão: Calvi foi estrangulado em um terreno baldio perto da ponte onde foi encontrado, e depois foi pendurado para simular um suicídio.

Interessante: o Banco do Vaticano detinha 16% do Ambrosiano. E, o bispo Marcinkus tinha um relacionamento antigo com Calvi – pessoal e comercial.

Com a morte do papa, ninguém do Vaticano foi incomodado. Marcinkus, por exemplo, permaneceu à frente do Banco do Vaticano até 1989. Morreu tranquilo, em 2006, no Arizona. Ele também era conhecido como “Banqueiro de Deus”, assim como seu amigo Calvi.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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