Ford, o pacifismo e o antissemitismo

Eventos homenageiam os 150 anos de Henry Ford | Carros | autoesporte
(Henry Ford, 1863-1947)

Henry Ford introduziu a produção em massa de automóveis.

Tinha lá suas convicções sobre religião, história, política, guerra e os judeus.

Ele se opôs a ambas as Guerras Mundiais em função de seu pacifismo geral.

Fala-se, aliás, que em 1941, enviou uma carta para Mahatma Gandhi, na qual expressava sua admiração: “Você é um dos melhores homens que o mundo já viu. Que Deus te ajude e guie seu trabalho sublime”.

Embora filho de agricultores do interior de Michigan, Ford tinha aversão ao trabalho agrícola e assim que pôde mudou-se para Detroit e tornou-se um aprendiz de maquinista.

Em 1891, já como engenheiro, começou a trabalhar para a Edison Illuminating Company. Subiu rapidamente na hierarquia e se tornou um engenheiro-chefe, o que lhe possibilitou realizar seus próprios projetos.

Em 1896, testou o Quadricycle, seu primeiro carro.

Thomas Edison, que tornou-se um amigo próximo, encorajou-o a desenvolver ainda mais seu carro e isso culminou na criação da Ford Motor Company em 1903.

Em relação à Primeira Guerra Mundial, Henry disse em sua autobiografia:

“Eu nunca fui capaz de descobrir qualquer motivo honroso para o início da Guerra Mundial.

Parece que surgiu de uma situação muito complicada, criada em grande parte por aqueles que pensavam que poderiam lucrar com a guerra.”

Chegou até a financiar uma missão diplomática na Europa para tentar facilitar a paz entre as nações. A missão foi ridicularizada pela mídia da época e ignorada pelos políticos.

Registrou que via a missão como uma tentativa fracassada da qual não se arrependia, pois “aprendemos mais com nossos fracassos do que com nossos sucessos”.

Quando os americanos entraram na guerra, suas fábricas apoiaram completamente o esforço de guerra, produzindo barcos de guerra, caminhões militares, canhões e muitos outros produtos de guerra, bem como desenvolvendo uma variedade de tecnologias de blindagem para veículos.

Em 1919, assumiu um jornal que usou para divulgar sua própria marca curiosa de pacifismo. Ele acreditava que a guerra era apenas um meio para alguns lucrarem. Esses alguns, achava, eram os judeus.

Uma compilação de textos do seu jornal resumia o que julgava que seria a traição judaica por trás da Primeira Guerra Mundial:

“Em outros países, o judeu tem permissão de se misturar mais facilmente com o povo, ele pode acumular seu controle sem contestação; mas na Alemanha o caso era diferente.

Portanto, o judeu odiava o povo alemão; e, os países do mundo mais dominados pelos judeus mostraram o maior ódio à Alemanha durante a lamentável recente guerra.

As mãos dos judeus estavam no controle quase exclusivo dos motores de publicidade pelos quais a opinião pública a respeito do povo alemão foi moldada.

Os únicos vencedores da guerra foram os judeus ”

Esses textos caíram nas mãos do jovem Hitler e o inspiraram.

Quando escreveu Mein Kampf, Hitler fala sobre Henry Ford e a conspiração judaica: “São os judeus que governam as forças da bolsa de valores americana. Cada ano os torna mais e mais os senhores controladores dos produtores em uma nação de cento e vinte milhões; apenas um único grande homem, Ford, para sua fúria, ainda mantém total independência.”

De fato, os judeus eram percebidos como melhores capitalistas em relação aos compatriotas de muitos países.

“Quando a vida econômica era concebida como um jogo de soma zero, no qual os ganhos de alguém só poderiam ser conseguidos a expensas dos outros, os ganhos dos judeus eram responsáveis pelos sofrimentos psíquicos ou materiais dos ‘autênticos’ membros da nação.” (Jerry Z. Muller)

Convenientemente, na década de 1930, Adolf Hitler descrevia a União Soviética como um colosso judeu-bolchevique fundamentalmente hostil ao nacionalismo étnico do qual os nazistas se viam como líderes.

Alimentava-se o medo da “conspiração judaica”, especificamente a do judeu-comunismo.

Afinal, não havia, entre tantos, Leon Trotsky, Grigori Zinoviev – presidente da Internacional Comunista -, Rosa Luxemburgo, e o maior deles, Karl Marx?

E o anarquismo, com as influentes participações de judeus, como Emma Goldman, Alexander Berkman, Martin Buber, por exemplo?

Ora, sempre haverá os que apelam a “conspirações” para culpar pelos problemas.

O judeu é muito demandado (como capitalistas, comunistas ou anarquistas). Mas, já foram os maçons, os jesuítas … a quem se atribui a responsabilidade pela condução dos destinos do homem, encarado como mera vítima frente à atuação de formidáveis forças secretas e sinistras.

Em 1938, quando Ford fazia seu 75º aniversário, Hitler lhe concedeu o prêmio da Grã-Cruz da Águia Alemã, o maior prêmio que a Alemanha nazista daria a um estrangeiro.

Ford, entretanto, veio rapidamente em auxílio da América quando os japoneses bombardearam Pearl Harbor.

Logo construiu uma fábrica em Detroit para produzir o bombardeiro B-24.

Era a maior fábrica do mundo, com 325 mil m2 e 42.000 funcionários, produzindo um bombardeiro quase a cada hora, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

<span>%d</span> blogueiros gostam disto: