Progresso contínuo

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(Steven Pinker)

Steven Pinker defende que a espécie humana nunca esteve tão bem e, isso seria devido aos valores do Iluminismo europeu do século XVIII.

Ele glorifica a abordagem neoliberal e tecnocrática predominante como solução dos problemas do mundo: foi a única que já funcionou e vai continuar conduzindo a humanidade em uma trajetória triunfante.

A ciência e o capitalismo vão extinguir a miséria! A humanidade pode e vai progredir em direção a cada vez mais cosmopolitismo, secularismo, razão e cooperação! Que bom!

Seu otimismo segue os passos de sua defesa da psicologia evolucionista e seu argumento de que estamos testemunhando uma diminuição de séculos da violência humana, temas que abordou anteriormente.

De fato, seu livro “O Novo Iluminismo” é “entusiasmante”. Mas, ele terá razão?

Para David Bell, historiador, seria “um livro dogmático que oferece uma visão supersimplificada e excessivamente otimista da história humana e uma prescrição totalmente tecnocrática para o futuro humano.”  Ele o intitulou como o “filósofo PowerPoint”.

Jessica Rifkin é mais cruel: considera sua ‘filosofia’ como “Poliânica”.

Apesar de toda a desgraça e tristeza existentes hoje, Pinker argumenta que as coisas estão boas – na verdade, as melhores que já foram.

Mais especificamente, os seres humanos hoje levam uma vida mais longa, mais segura, mais saudável, mais rica e, mais feliz do que em qualquer ponto da história registrada, e o fazem graças ao Iluminismo.

O negativismo que ainda prevalece em nossa cultura é simplesmente um erro, o produto de preconceitos cognitivos agravados pela influência de intelectuais tolos e políticos ignorantes.

Um exemplo: há dois séculos, 90% da população mundial seriam de ‘miseráveis’; atualmente, ‘apenas’ 10% estão nessa situação.

O recado subjacente é que insurgir-se contra a desigualdade seria um erro, pois os mesmos processos que permitem o surgimento de diferenças obscenas de renda teriam melhorado a vida de todos – pelo menos de cada vez mais gente.

Esse raciocínio é falso. Não é a extrema concentração de renda que gera riqueza; esta acontece apesar da desigualdade.

Assim como não é a “exploração” dos demais que eleva as produtividades econômica e social; é a “cooperação” que a produz, mesmo quando esta cooperação é ‘forçada’, em sistemas organizados.

Além disso, Jason Hickel contesta os dados usados: números confiáveis sobre pobreza só ficaram disponíveis a partir de 1981.

Bom, o “progresso contínuo” seria um “fato”, inevitável, acredita Pinker. Os riscos são minimizados: serão superados.

A mudança climática, por exemplo, é preocupante (“não dá margem a tranquilidade”), mas será resolvida.

“… o esforço para prevenir a mudança climática precisa ser imenso, e não temos garantia de que as transformações necessárias na tecnologia e políticas estarão prontas para uso a tempo de desacelerar o aquecimento global antes que seja causado um dano substancial.” (página 190)

Mas, aí entraria um último recurso: baixar a temperatura mundial reduzindo a quantidade de radiação solar que atinge a baixa atmosfera e a superfície da Terra.

“Uma frota de aviões borrifaria na estratosfera uma névoa fina de sulfatos, calcita ou nanopartículas, abrindo um tênue véu que refletiria a luz solar …”

Prá tudo há solução! Haja ética!

Além do quadro das mudanças climáticas, temos desafios importantes pela frente que abrem possibilidades positivas ou negativas para a humanidade, como a AI e a engenharia genética, por exemplo.

O cenário político também é imprevisível; não vejo garantias na consolidação da liberdade.

As ideias contidas no livro poderão – mesmo que não seja essa a intenção do autor – “reforçar as reivindicações de políticos populistas contra intelectuais e movimentos por justiça social enquanto justifica escolhas políticas equivocadas e frias em nome de uma racionalidade científica supostamente irrefutável”, diz David Bell.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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